Investigação

Cientistas criam embriões com células humanas e de macaco

Cientistas criam embriões com células humanas e de macaco

Cientistas desenvolveram células humanas em embriões de macaco com o objetivo de perceber mais sobre como estas se desenvolvem. O passo em frente visa melhorar a saúde humana mas levanta questões éticas.

Investigadores de instituições chinesas e norte-americanas conseguiram integrar células humanas em embriões de macacos - um avanço na pesquisa biomédica sobre determinadas doenças e transplante de órgãos, defende um estudo publicado esta quinta-feira na revista científica de biologia experimental Cell.

"Um objetivo importante da biologia experimental é o desenvolvimento de sistemas-modelo que permitam o estudo de doenças humanas em condições 'in vivo'", ou seja, quando os testes são feitos num organismo vivo, diz o espanhol Juan Izpisua Belmonte, do Instituto para as Ciências Biológicas Salk dos Estados Unidos. De acordo com o responsável pela investigação, tendo em conta a impossibilidade de realizar determinadas investigações em humanos, "é essencial ter os melhores modelos para estudar e compreender com mais precisão a biologia e as doenças humanas".

Os investigadores consideram que os resultados do estudo constituem "mais um passo" na compreensão do desenvolvimento humano e da progressão de doenças, contribuindo também para responder à escassez de órgãos para transplantes e até para testar compostos de medicamentos.

A capacidade de fazer crescer as células de uma determinada espécie dentro de um organismo de uma espécie diferente - resultando em tecidos denominados "quimeras" - é considerada uma "ferramenta poderosa" para a medicina, apesar de exigir especial consideração sobre questões éticas.

"Essas abordagens através de 'quimeras' podem ser realmente muito úteis para o avanço da investigação biomédica, não apenas no estágio inicial da vida, mas também no último estágio da vida", assegura Izpisua Belmonte, que adianta terem sido recolhidas "informações valiosas" sobre como as células de diferentes espécies comunicam umas com as outras.

Criaram embriões com até 20 dias de vida

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Na prática, os cientistas marcaram células estaminais (não diferenciadas) humanas, capazes de se desenvolverem em todos os tipos de células no corpo, com uma proteína fluorescente, que foram inseridas em embriões de macaco. E observaram que as células humanas sobreviveram e se integraram com melhor eficiência do que em investigações anteriores realizadas em tecidos de suíno.

Os investigadores conseguiram, assim, cultivar embriões quiméricos por um período significativo de tempo, até 20 dias, constatando ainda que a percentagem de células humanas nos embriões permaneceu alta ao longo desse período.

Este resultado constitui uma "nova plataforma para estudar como surgem doenças específicas", como, por exemplo, como um determinado cancro é gerado nas células humanas.

"Por mais importantes que consideremos esses resultados para a saúde e para a pesquisa, a forma como conduzimos este trabalho, com a máxima atenção às considerações éticas e em estreita coordenação com as agências reguladoras, é igualmente importante", salientou ainda Izpisua Belmonte, assegurando que o objetivo final é "compreender e melhorar a saúde humana".

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