Estudo

Cientistas descobrem seis novas estirpes de coronavírus em morcegos

Cientistas descobrem seis novas estirpes de coronavírus em morcegos

Uma equipa de cientistas do Programa Global de Saúde do Instituto Smithsonian, dos Estados Unidos, descobriu seis novas estirpes de coronavírus em morcegos. Ainda não há evidências sobre o eventual impacto para a saúde humana.

A descoberta, publicada a 9 de abril na revista científica "Plos One", resultou de uma investigação no Myanmar, entre maio de 2016 e agosto de 2018, que envolveu a recolha de mais de 750 amostras de saliva e fezes de morcegos. Depois de as testarem e compararem com coronavírus já conhecidos, os cientistas descobriram que estavam perante seis estirpes nunca antes detetadas.

Foram analisadas 11 espécies de morcegos, mas só três apresentaram os novos vírus que, de acordo com os autores do estudo, não estão geneticamente relacionados com o coronavírus que provocou a pandemia de Covid-19 (cuja origem também foi um morcego)nem com os que causaram a Síndrome Respiratória Aguda Grave, em 2002, e a Síndrome Respiratória do Médio Oriente, em 2012.

De acordo com os investigadores, ainda não há evidências científicas sobre o potencial de transmissão entre espécies, não havendo conhecimento sobre eventuais riscos para a saúde humana. Essa avaliação vai ser feita em estudos futuros, garante a equipa que estima que milhares de coronavírus estejam presentes nos morcegos.

"As pandemias virais lembram-nos o quanto a saúde humana está ligada à saúde da vida selvagem e do meio ambiente. Em todo o mundo, os seres humanos estão a interagir com a vida selvagem com uma frequência crescente. Portanto, quanto mais entendermos sobre estes vírus em animais - o que lhes permite sofrer mutações e como eles se espalham para outras espécies -, melhor podemos reduzir seu potencial pandémico", declarou Marc Valitutto, principal autor do estudo, cujo objetivo é "ajudar a compreender a diversidade de coronavírus em morcegos e fomentar esforços globais para detetar, prevenir e responder a doenças infeciosas que podem ameaçar a saúde pública".