Conselho Europeu

Cimeira das cotoveladas pode deixar tudo igual

Cimeira das cotoveladas pode deixar tudo igual

Holanda impõe a Espanha e Itália reformas laborais e de pensões para acederem aos 750 mil milhões. Charles Michel redesenha "bazuca".

A Holanda mantém-se orgulhosamente como travão ao acordo a 27 sobre o Fundo de Recuperação da Europa, no valor de 750 mil milhões de euros, para fazer face ao impacto económico da pandemia.

Na cimeira do Conselho Europeu (CE), em Bruxelas, onde os líderes dos Estados-membros continuam a cumprimentar-se à cotovelada, aquele mecanismo de apoio poderá só ficar fechado lá para agosto ou setembro, se se mostrarem infrutíferas as tentativas do presidente do CE, Charles Michel, de chegar a um consenso nos últimos dois dias.

No edifício Europa, o primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, tem arrastado atrás de si um grupo de outros quatro países, conhecidos como "frugais", constituído pela Dinamarca, Suécia, Finlândia e Áustria.

Em vez do plano inicial de Charles Michel, de dividir os 750 mil milhões de euros em 500 mil milhões a fundo perdido e 250 mil milhões acessíveis por empréstimos, Rutte quer inverter as parcelas e usa como arma o facto de a aprovação da denominada "bazuca" necessitar de um voto unânime.

Mas a Holanda não se fica por aqui: pretende que cada uma das distribuições de dinheiro dependa de uma votação por unanimidade no CE, ainda exige que a Espanha e a Itália se comprometam com reformas estruturais, a começar pelo setor laboral e o de pensões.

Este sábado, após vários encontros bilaterais e de arrancar o dia reunido com alemã Merkel, o francês Macron, o espanhol Sánchez e o italiano Conte, com a presença de Rutte, o presidente do CE redesenhou a proposta: 450 milhões a fundo perdido e 300 milhões a distribuir a troco de endividamento. Chegou? Não.

Noutra reunião participou António Costa com os congéneres espanhol, italiano e grego. Do outro lado da mesa, esteve o grupo dos cinco intransigentes.

Michel foi mais longe, alterando também a proposta orçamental da UE, para o período 2021 e 2027, de 1,07 bilhões, que já em fevereiro não tinha conseguido reunir consenso, ao diminuir o volume de alguns fundos.

O primeiro-ministro Italiano, Giuseppe Conte, não quis falar de um fracasso, mas assumiu que está tudo num "impasse". "Está a ser mais difícil do que o inicialmente previsto", apontou.

Este sábado não houve fumo branco e as negociações vão ser retomadas amanhã.

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