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Cimeira UE-Ucrânia sem acordo à vista, avança presidente lituana

Cimeira UE-Ucrânia sem acordo à vista, avança presidente lituana

Os líderes europeus não conseguiram persuadir o presidente da Ucrânia a assinar um acordo político e comercial entre o país e a União Europeia (UE), disse a presidente da Lituânia, país onde decorre uma cimeira de dois dias.

Nas conversações com o presidente ucraniano Viktor Ianuokovych, "os argumentos da União Europeia não demoveram as suas posições iniciais", declarou a presidente lituana Dalia Grybauskaite à agência de notícias francesa AFP.

De acordo com a chefe de Estado da Lituânia, o presidente da Ucrânia não falou nem do acordo nem da sua assinatura, mas apenas dos problemas económicos do seu país.

"Ele pretende que esses problemas sejam resolvidos em conjunto pela União Europeia e pela Rússia", acrescentou a presidente lituana.

Essa exigência já foi rejeitada pela EU, que defende que os acordos de associação que estabelece são sempre bilaterais e não tripartidos.

Na semana passada, o Governo da Ucrânia decidiu inesperadamente renunciar à assinatura de um acordo de associação e de um acordo de comércio livre com a UE.

A oposição acusou o Governo de ter cedido à pressão da Rússia, que tinha claramente advertido Kiev das consequências comerciais de um acordo com a UE.

O primeiro-ministro ucraniano, Mykola Azarov, qualificou como "uma esmola para um mendigo" os 1.000 milhões de euros de compensação que a UE ofereceu a Kiev.

Por sua vez, o Presidente ucraniano, Viktor Ianoukovitch, afirmou, na terça-feira, que o país iria esperar por melhores condições antes de considerar uma eventual assinatura de um acordo.

"Assim que atingirmos um nível que seja confortável para nós, quando coincidir com os nossos interesses, quando concordarmos sobre as condições normais, então poderemos falar da assinatura" do documento, disse então o chefe de Estado ucraniano, numa entrevista transmitida pelos canais de televisão do país.

Já hoje, o comissário europeu para o Alargamento, Stefan Fule, rejeitou os argumentos sobre os elevados custos para a economia ucraniana apresentados pelas autoridades de Kiev para não assinarem o acordo de associação com a União Europeia (UE).

"As alusões aos eventuais enormes prejuízos para a economia ucraniana são infundadas e pouco convincentes", afirmou Fule, em declarações à agência russa Interfax, antes do início em Vilnius, Lituânia, da cimeira da Parceria Oriental da UE.

O comissário europeu admitiu ter dúvidas sobre a veracidade dos dados sobre os prejuízos que poderão provocar as medidas protecionistas que a Rússia ameaça impor se Kiev avançar com o acordo com os 28 Estados-membros.

"Ultimamente deparei-me com muitos números fantasiosos que interpretei como um sinal de pânico. Já no primeiro ano da aplicação preliminar do acordo de livre comércio, os exportadores ucranianos pouparam em taxas 500 milhões de euros e o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 6,2% a longo prazo", salientou o representante comunitário.

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