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Clã Bolsonaro envolve-se nas eleições municipais

Clã Bolsonaro envolve-se nas eleições municipais

As eleições de amanhã em 5569 municípios brasileiros parecem um jogo de tabuleiro para o clã Bolsonaro. O chefe, a mulher e os filhos apostam em várias casas, usando mesmo meios públicos para promover candidatos em cidades-chave. É um teste não assumido ao bolsonarismo prestes a perder influência para o centro-direita.

Nas transmissões em direto nas redes ("lives") a partir da biblioteca do Palácio da Alvorada, a residência oficial do presidente da República, Jair Bolsonaro não se coíbe de exibir fotografias dos candidatos a prefeito (equivalente ao presidente da câmara em Portugal) e a vereadores que apoia ostensivamente e de perorar sobre os seus méritos ou até as suas singularidades... físicas.

"É uma cartada nova. Conheço-o há uns quatro anos. É um jovem, um pouquinho fora de peso, o defeito dele é esse. Deve ser da pandemia, ficou em casa muito tempo", brincou sobre o candidato em Belo Horizonte, Bruno Engler, 23 anos, coordenador do Movimento Direita Minas, que participou com o presidente numa "live" para a sua promoção. Dizem as sondagens que a cartada não é grande coisa: não passará à segunda volta, no dia 29.

Apesar das críticas e até queixas judiciais por causa do uso de meios públicos (instalações, câmaras, funcionários, etc.) na promoção de amigos nas suas "lives" semanais, Bolsonaro prossegue. Na de anteontem, apresentou o seu apoio à candidata a prefeita do Recife, a delegada Patrícia Domingos (Podemos), e fez entrar o filho Eduardo a patrocinador de candidatos a vereadores em várias cidades, alguns em "estúdio".

São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife, Manaus, Fortaleza, Salvador, Juiz de Fora ou Uberlândia são algumas das apostas do clã, com declarações públicas de apoio do presidente, da mulher e dos filhos - quase todas de risco. Na capital do Amazonas, o Coronel Menezes (partido Patriota) colhe apenas 5% das intenções de voto. Na do Ceará, o Capitão Wagner (Pros) é a exceção, com 31%.

São Paulo e Rio

Os desaires maiores de Bolsonaro, que foi eleito pelo Partido Social Liberal (PSL), o seu nono (e está sem conseguir oficializar o "seu" Aliança Brasil), devem ocorrer nas duas principais capitais - São Paulo e Rio de Janeiro - onde apoia os candidatos dos Republicanos. De resto, o PSL não mostra sinais de ganhar algo.

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Em São Paulo, Bolsonaro colocou todas as fichas na terceira candidatura ao município do deputado federal e apresentador de televisão Celso Russomanno, alvo de vários processos por danos morais e dívidas e criticado pelas ligações do seu partido e da TV Record à Igreja Universal do Reino de Deus (IURD). As sondagens dão-lhe 12%.

Vai à frente o prefeito cessante, Bruno Covas, do Partido Social Democrata do Brasil (PSDB), com 32%, seguido de Guilherme Boulos, do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e ex-candidato presidencial, com 16%, que poderá vir a congregar a esquerda antes mesmo da segunda volta, incluindo o Partido dos Trabalhadores (ainda muito dividido).

No Rio de Janeiro, onde é vereador e recandidato Carlos Bolsonaro e onde tenta regressar a mãe deste e ex-mulher do presidente, Rogéria Bolsonaro, o prefeito cessante, o pastor Evangélico Marcelo Crivella, está em desgraça: as sondagens dão-lhe 15%, bem abaixo do seu antecessor do Democratas, Eduardo Paes, que averba 33%.

Municípios

No Brasil, há 5570 municípios, a maior parte dos quais de pequena dimensão. Apenas 95 têm mais de 200 mil eleitores e só nestes poderá haver segunda volta das eleições no dia 29.

Macapá de fora

Amanhã, o número real de municípios com eleições é de 5569. A cidade de Macapá, capital do estado de Amapá, está impedida de realizar o sufrágio por falta de fornecimento de energia elétrica.

Eleitores e candidatos

São chamados a votar 147,9 milhões de eleitores, para escolher entre 19 206 candidatos a prefeitos e 517 095 pretendentes a vereadores.

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