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"Claques", propaganda, piqueniques e até samba na hora do voto

"Claques", propaganda, piqueniques e até samba na hora do voto

Foram milhares os brasileiros, a residir em Portugal, que fizeram questão de ir votar. No Porto, as filas contornavam o Instituto Superior de Engenharia, com os eleitores a vestirem as cores do seu candidato preferido: verde e amarelo para Bolsonaro e vermelho para Lula.

Esqueçam tudo o que associam ao momento de ir votar numa eleição eleitoral, como a proibição de propaganda, fazer campanha e revelar em quem se votou. Mergulhar na assembleia de voto dos brasileiros residentes em Portugal é como entrar num estádio de futebol, onde tudo é permitido entre os adeptos dos dois clubes que se defrontam. É quase como perguntar que equipa irá ganhar.

No Instituto Superior de Engenharia do Porto, onde funcionou a assembleia de voto (com 39 mesas de voto) dos 30.098 eleitores brasileiros residentes na cidade, há claques, piqueniques, propaganda por todo o lado e até quem sambe.

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Aliás, basta olhar para a roupa que cada eleitor veste, enquanto está na gigante fila que contorna o Instituto, para facilmente perceber em quem vai votar: os apoiantes de Jair Bolsonaro vestem as cores da bandeira nacional (verde e amarelo), os de Lula da Silva usam roupa vermelha. Mas há ainda toalhas de praia, bandeiras e todo o tipo de propaganda que quase todos levam consigo até à urna.

Num dos lados da entrada do Instituto Superior de Engenharia, uma claque com apoiantes de Jair Bolsonaro grita palavras de apoio ao atual presidente do Brasil. Do outro lado, outra claque que, mas em tons vermelhos, responde com cânticos, músicas e até samba.

Nas filas e nos jardins do Instituto, onde se fazem piqueniques, os apoiantes misturam-se. Do lado de Lula da Silva, os apoiantes dizem preferir alguém que foi condenado por corrupção, mas que fez obra, a alguém que encaram como fascista e racista. Do lado dos apoiantes de Bolsonaro, não esquecem que Lula foi condenado a 12 anos de prisão por corrupção passiva e branqueamento de capitais.

"Votei no Lula só para tirar de lá o Bolsonaro. Os outros não têm força suficiente", admite Laura Pinto, que veio para Portugal, há três anos, para tirar um Mestrado em Nutrição. "Não há uma terceira via. Não ia estar num país de esquerda como Portugal e votar na extrema-direita. Não fazia sentido. Ia apoiar quem?", reforça Beatriz Penedo, uma advogada a residir em Portugal há cinco anos.

"Quero o melhor para o meu país. Quero melhor saúde e segurança. Vejo que o Brasil está a crescer. Quando um político é preso por corrupção não tem condições para voltar. Não devia. Que moral o Brasil tem para eleger um Presidente corrupto", contrapõe Klebilson Oliveira, admitindo que saiu do Brasil, há três anos, por causa da insegurança.

"O Lula quer legalizar a maconha. Quer fazer do Brasil uma Venezuela. Não concordo muito com algumas coisas que Bolsonaro diz. Mas fez obra e não é corrupto", acrescenta Kamily Pessoa, que também reside em Portugal há três anos.

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