Covid-19

CNN elogia hotel no Alentejo por recusar "lay-off" e manter empregos

CNN elogia hotel no Alentejo por recusar "lay-off" e manter empregos

A norte-americana CNN louvou a atitude de resiliência do Craveiral Farmhouse, no Alentejo, em manter postos de trabalho e dinamizar a economia local, em plena pandemia, em vez de fechar voluntariamente e enviar funcionários para casa. Ao JN, o proprietário afasta qualquer deslumbramento com o destaque.

Depois de ter sido elogiado na imprensa internacional pelo travão que tem colocado na propagação da Covid-19, Portugal voltou a dar nas vistas lá fora. Desta vez, foi o canal de notícias norte-americano CNN a destacar um projeto hoteleiro, em São Teotónio, perto da Zambujeira do Mar, por manter todos os 22 postos de trabalho, recusando o "lay-off", e por estar a trabalhar em prol da comunidade, apesar da crise provocada pela pandemia.

O elogio foi dado esta terça-feira numa entrevista para a rubrica "Voices of the Crisis", do programa "Quest Means Business", da CNN, quando o jornalista Richard Quest considerou "fascinante" que, em tempos de pandemia, se tenha mantido os postos de trabalho, quando conversava via "Skype" com Pedro Franca Pinto, fundador e CEO do Craveiral Farmhouse.

O convite surgiu após um dos hóspedes ter sugerido a "história" do hotel português à cadeia de televisão.

Que espaço é este que esteve em destaque na CNN?

Atualmente sem hóspedes, mas com quatro famílias que já lá estavam alojadas desde o início do isolamento social e que por lá decidiram ficar, o projeto hoteleiro decidiu ser um contribuidor ativo da comunidade local. Para isso, colocou ao dispor da região as 38 casas isoladas que constituem esta unidade hoteleira para cuidados profiláticos, quarentenas obrigatórias e hospitalização domiciliária.

Adicionalmente, passou também a distribuir gratuitamente refeições às autoridades locais, além de ter disponibilizado a estrutura do hotel para a confeção e distribuição de refeições porta a porta num raio de cinco quilómetros, com um custo simbólico de três euros por refeição, dando prioridade aos idosos, caso a resposta da entidades locais não fosse suficiente.

Ao JN, Pedro Franca Pinto assume que o projeto é algo muito pessoal. "O objetivo é que dure gerações e não são dois meses que o vão colocar em causa. Claro que, do ponto de vista de tesouraria, há uma perda financeira muito grande, mas muito pior seria por em causa os princípios do projeto", defende.

No entanto, o fundador do hotel afasta qualquer deslumbramento com o destaque. "Tentamos ser exemplares naquilo que fazemos, mas não somos perfeitos. Participar no programa foi uma responsabilidade e uma exposição enorme, mas não é isso que nos vai deslumbrar. Deve haver 'n' exemplos em Portugal, ou seja, não me sinto especial por causa disso", diz.

A integração de pessoas com perturbações ligeiras de desenvolvimento cognitivo no mercado de trabalho também tem sido uma das prioridades deste turismo de natureza.

Depois de uma entrevista de quatro minutos, Richard Quest deixou no ar uma promessa: "Se Portugal estiver no meu caminho certamente irei fazer-vos uma visita".

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