Colômbia

Colombianos festejam histórico acordo de paz

Colombianos festejam histórico acordo de paz

Cerca de mil pessoas concentraram-se em Bogotá, na noite de quarta-feira, para celebrar o histórico acordo de paz alcançado entre o governo e as Forças Armadas Revolucionárias Armadas da Colômbia.

Mal apareceu num ecrã gigante, instalado no Parque dos Hippies, da capital colombiana, a imagem dos negociadores a rubricarem o acordo de paz, uma multidão gritou, com júbilo, "sim, podemos".

O Governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias Armadas da Colômbia (FARC) anunciaram na quarta-feira um acordo de paz sem precedentes, depois de quatro anos de duras negociações em Cuba, que visa pôr termo a mais de meio século de conflito armado.

Os termos do acordo definitivo de paz vão ser referendados, num plebiscito marcado para 2 de outubro, segundo anunciou o presidente da Colômbia num discurso à nação.

Antes da alocução de Juan Manuel Santos, os colombianos começaram a cantar em coro o hino nacional naquele que foi um dos momentos mais emotivos da noite, com lágrimas, abraços e aplausos, segundo descreve a agência Efe, que deu conta que a concentração reuniu pessoas de diferentes formações políticas.

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"Colombianos, dirijo-me hoje a vocês com uma profunda emoção, uma grande alegria. Hoje começa o fim do sofrimento, da dor, da tragédia da guerra", declarou Juan Manuel Santos, durante um discurso, a partir do palácio presidencial Casa de Nariño, em Bogotá.

O presidente recordou que a realização do referendo - em que os colombianos vão responder se aprovam ou não o acordo do fim do conflito com as FARC - resulta do cumprimento da promessa que fez aos colombianos de que "teriam a última palavra" relativamente ao negociado.

Sublinhando que a paz é "a vitória de todos os colombianos", Juan Manuel Santos considerou que o acordo alcançado constitui uma oportunidade para se construir, em conjunto, "uma paz estável e duradoura", colocando termo a mais de meio século de conflito armado.

O chefe negociador das FARC nas negociações de paz afirmou que ganhou "a mais bela de todas as batalhas" com o histórico acordo de paz alcançado com o governo.

"Creio que ganhamos a mais bela de todas as batalhas, a da paz da Colômbia", afirmou Luciano Marín Arango, conhecido como "Iván Márquez", o "número dois" da maior guerrilha do país.

O representante das FARC assinalou ainda que o acordo não só é "o mais desejado da Colômbia", como "acaba com a guerra de armas" e permite "o começo do debate de ideias", lançando "as bases para a paz e a convivência".

"Parecia demorar muito e realmente chegou o dia. Recebemos [a notícia do acordo] com emoção. Sinto que toda a Colômbia compreende a responsabilidade que tem no referendo", disse o ex-candidato presidencial e ex-autarca de Bogotá, Antanas Mockus, à agência noticiosa espanhola.

O político, um dos mais acérrimos defensores do processo de paz, foi um dos cidadãos que respondeu à chamada de várias organizações para que se concentrassem naquele parque situado no bairro tradicional de Chapinero.

A guerra, que começou em 1964, é o último grande conflito armado nas Américas e provocou a morte a 260 mil pessoas, deslocou 6,8 milhões e deixou 45 mil desaparecidos.

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