Donbass

Com receio de ataque, separatistas pró-Rússia retiram civis do leste da Ucrânia

Com receio de ataque, separatistas pró-Rússia retiram civis do leste da Ucrânia

Os separatistas no leste da Ucrânia anunciaram, esta sexta-feira, que estão a iniciar a retirada de civis para a Rússia, enquanto Kiev acusa as forças pró-russas em Donbass de terem disparado contra um posto de controlo militar fronteiriço.

Denish Pushilin, líder do governo separatista na região de Donetsk, informou hoje que mulheres, crianças e idosos serão os primeiros a ser retirados da região, perante o agravamento de tensões, e que a Rússia preparou instalações para acomodá-los.

A autoproclamada república popular de Donetsk, no leste da Ucrânia, denunciou um aumento nos ataques das forças armadas ucranianas, para justificar as medidas de evacuação que começam a ser preparadas em larga escala. Os separatistas das regiões de Lugansk e Donetsk relataram mais bombardeamentos por forças ucranianas ao longo da tensa linha de contacto.

Perante estas informações, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que a situação na região é "potencialmente muito perigosa".

O governador da região russa de Rostov, Vasili Gólubev, reuniu com o Presidente Vladimir Putin, para preparar a chegada de refugiados do leste da Ucrânia, após evacuações decretadas pelas autoridades separatistas. Perante a situação, Putin ordenou que o ministro das Situações de Emergência, Aleksand Chuprian, se deslocasse a Rostov, na fronteira oriental da Ucrânia, para supervisionar as condições de alojamento dos refugiados.

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"A Rússia está pronta para garantir a entrada organizada e o acolhimento de moradores da República Popular de Lugansk", disse o líder dos separatistas na região, Leonid Passechnik. "O Presidente russo também ordenou que o Governo conceda uma ajuda de 10 mil rublos (cerca de 120 euros)" a cada pessoa refugiada, de acordo com o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov.

Por seu lado, o ministro da Defesa da Ucrânia, Oleksii Reznikov, garantiu, perante o Parlamento, que Kiev não planeia nenhuma ação violenta contra os territórios separatistas, assegurando que o seu Governo continua comprometido com uma solução pacífica para o conflito.

Rússia terá posicionado até 190 mil soldados

O embaixador dos EUA na OSCE, Michael Carpenter, disse que o seu Governo estima que a Rússia enviou até 190 mil soldados para as fronteiras com a Ucrânia, contra 100 mil em 30 de janeiro. Este destacamento - que o embaixador norte-americano descreve como "a mobilização militar mais significativa na Europa desde a Segunda Guerra Mundial" - inclui tropas russas na Bielorrússia, na Rússia e na península da Crimeia, anexada por Moscovo em 2014.

Carpenter sublinhou que, além dos exercícios militares em terra perto da Ucrânia, o Exército russo realizou um exercício naval de grande dimensão no Mar Negro, no Mar Báltico e no Ártico. "Só no Mar Negro o exercício envolve mais de 30 navios e estimamos que vários navios de desembarque anfíbios foram transferidos da frota do Norte e do Báltico para o Mar Negro para aumentar as suas forças na região", explicou o embaixador, que alertou ainda para as eventuais tentativas da Rússia de criar um pretexto para justificar uma invasão da Ucrânia. "Temos informações de várias fontes com pormenores dos esforços da Rússia para fabricar supostas 'provocações ucranianas' e formar uma narrativa pública para justificar uma invasão russa".

O representante dos EUA na OSCE propôs à Rússia várias medidas para reduzir as tensões, incluindo o convite de observadores para áreas com concentração de tropas e voos de verificação com helicópteros. Também hoje, e no mesmo sentido de procurar uma diminuição do clima de tensão, o secretário de Defesa dos EUA, Lloyd Austin, conversou telefonicamente com o seu homólogo russo, Sergei Shoigu, pedindo uma "redução da escalada", alegando que as tensões nas fronteiras da Ucrânia estão num pico.

Já o secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, condenou a recente intensificação dos combates no leste ucraniano, classificando-a como "uma encenação" de "provocações" projetada pelos russos para justificar um ataque à Ucrânia.

Os acontecimentos das "últimas 24/48 horas" são "parte de uma encenação já em curso, que consiste em criar falsas provocações, depois responder a essas provocações e, por fim, cometer uma nova agressão contra a Ucrânia", acusou Blinken, num discurso proferido na Conferência sobre a Segurança de Munique. "Enquanto fazemos tudo o que está ao nosso alcance para indicar claramente que existe uma via diplomática" para esta grave crise entre o Ocidente e a Rússia, "estamos profundamente preocupados com o facto de não ser essa a via em que a Rússia está empenhada", lamentou o chefe da diplomacia dos Estados Unidos.

O chefe do Pentágono "pediu uma redução da escalada, o regresso às bases das forças russas que cercam a Ucrânia e uma solução diplomática", esclarece um comunicado do Departamento de Defesa norte-americano.

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