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Comboio já não é uma alternativa

Comboio já não é uma alternativa

D ominic estava feliz e saltava, ostentando um bilhete de comboio, conseguido ao fim de seis horas de espera na estação de comboios de Santa Apolónia, Lisboa. E, mesmo assim, era uma vitória parcial, porque o destino desta francesa era Paris e o bilhete só lhe dava até Madrid, a capital espanhola transformada numa tábua de salvação para seguir viagem. "Bom, já é alguma coisa, depois vemos como chegamos a Paris", disse, ao JN. É que, no espaço de 24 horas e ao fim da tarde de ontem, já nem os comboios serviam de alternativa ao encerramento do espaço aéreo.

E com o Sud-Express a sair, esgotado, cerca das 16.30 horas de ontem, era também a esperança que desaparecia para centenas de candidatos a passageiros - o comboio partira, mas as filas nas duas únicas bilheteiras em serviço mantinham-se. Para quem ficava, o domínio era o da incerteza, por ser impossível saber quando haveria mais bilhetes de comboio; os rumores corriam de que só na próxima semana haveria lugares disponíveis. "Não sabemos o que fazer - nem hotel temos!", diziam duas inglesas, que se tinham conhecido na fila. Queriam ir para Londres, mas nem sabiam como sair de Lisboa.

Na Estação do Oriente, no Parque das Nações, a informação era mais perceptível, mas só isso, porque a certeza era igual: o Sud-Express só tinha lugares disponíveis no dia 21, e mesmo o comboio para Madrid só hoje teria bilhetes. Diziam-no os placards junto às bilheteiras e a instalação sonora, em português e em inglês.

Mas quem mais sofria eram os turistas. Um deles, jovem, olhando para as filas imensas na Estação do Oriente, virava-se para as máquinas de venda de bilhetes, mas o conhecimento do português não chegava para perceber que a venda electrónica só abrangia as linhas em Portugal. Tentava escrever "Madrid" no teclado digital, mas a máquina não reconhecia.

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