Covid-19

Bruxelas assegura mais 50 milhões de doses da Pfizer

Bruxelas assegura mais 50 milhões de doses da Pfizer

Imprensa italiana avançou que a Comissão Europeia decidiu não renovar os contratos para aquisição das vacinas da AstraZeneca e Johnson & Johnson a partir de 2022. Bruxelas deixa "tudo em aberto", mas anunciou mais 50 milhões de vacinas da Pfizer.

Segundo avançou o jornal La Stampa, os contratos em vigor com as duas farmacêuticas não vão ser renovados quando expirarem.

"A Comissão Europeia, em acordo com os líderes de muitos estados-membros, decidiu que os contratos com as empresas que produzem vacinas válidos para o ano em curso não serão renovados no seu termo", adianta o diário, citando uma fonte do Ministério da Saúde de Itália.

Bruxelas vai, assim, apostar apenas em vacinas contra a covid-19 que utilizam tecnologia mRNA, como as da Pfizer e Moderna.

Esta amanhã, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, embora não a tenha confirmado, também não desmentiu a informação. E anunciou que Bruxelas chegou a acordo com a Pfizer para receber antecipadamente mais 50 milhões de doses da vacina, que serão distribuídas pelos estados-membros.

O fármaco, cuja entrega estava prevista para o quarto trimestre, começará a chegar já este mês.

"Como podemos ver com o anúncio feito ontem [terça-feira] da Johnson & Johnson, há ainda muitos fatores que podem perturbar os prazos de entrega previstos de vacinas e, por conseguinte, é importante agir rapidamente para antecipar e ajustar sempre que for possível", frisou.

PUB

Ursula von der Leyen afirmou ainda, numa curta declaração à imprensa em Bruxelas, que está a ser negociado um terceiro contrato com a Pfizer/BioNTech para a entrega de 1,8 mil milhões de doses em 2022 e 2023.

"As negociações começaram hoje e espero que sejam concluídas muito rapidamente", sublinhou, acrescentando que a UE atingiu hoje as 100 milhões de doses de vacinas administradas contra a covid-19.

"Tenho o prazer de anunciar que hoje atingimos os 100 milhões de vacinas [administradas] na UE, um marco de que nos podemos orgulhar. E, destes 100 milhões de vacinações, mais de um quarto já equivale à segunda dose, o que significa que temos agora mais de 27 milhões de europeus totalmente vacinados", acrescentou.

A Comissão Europeia afirmou também que mantém "todas as opções em aberto" para as próximas fases de combate à pandemia de covid-19, nomeadamente no que toca à campanha de vacinação a partir de 2022, adaptada às novas variantes.

"Mantemos todas as opções em aberto para estarmos preparados para as próximas fases da pandemia, para 2022 e mais além", indicou fonte oficial do executivo comunitário em resposta escrita enviada à agência Lusa.

"Não podemos, contudo, comentar questões contratuais", disse a mesma fonte oficial à Lusa.

Problemas com vacinas

De recordar que, esta terça-feira, o regulador de medicamentos norte-americano, a FDA, e o Centro de Controlo de Doenças (CDC) do país pediram uma pausa na administração do fármaco da Johnson & Jonhson, depois de terem sido detetados seis casos de coágulos sanguíneos em pessoas que tomaram a vacina.

Face à situação, a Johnson & Johnson decidiu adiar a disponibilização da vacina contra a covid-19 na Europa.

"Estamos cientes de um distúrbio extremamente raro envolvendo pessoas com coágulos sanguíneos em combinação com plaquetas baixas num pequeno número de indivíduos que receberam a nossa vacina", pode ler-se na nota da farmacêutica.

Na semana passada, a Agência Europeia do Medicamento confirmou também que existe "uma possível ligação" entre a administração da vacina da AstraZeneca e a ocorrência de coágulos sanguíneos invulgares.

Isto vai na linha do que fonte oficial da Comissão Europeia avançou à agência Lusa na passada sexta-feira, de que a instituição vai convidar uma farmacêutica com vacina de covid-19 assente na tecnologia do ARN mensageiro para produzir 1,8 mil milhões de doses contra as novas variantes do vírus.

Em causa está uma "nova geração de contratos com foco em 2022 e 2023", afirmou a fonte na altura.

A fonte oficial do executivo comunitário explicou à Lusa na sexta-feira que os novos contratos visam que "a UE esteja preparada para as novas etapas da pandemia", dado o surgimento de novas variantes do vírus (como as mutações detetadas no Reino Unido, no Brasil e na África do Sul).

"Tendo em conta a experiência que já temos em termos de acordos de aquisição, de criação de um portefólio de vacinas e da aceleração da produção", este contrato a ser celebrado com apenas uma farmacêutica prevê a compra inicial de 900 milhões de doses e com a opção de compra de mais 900 milhões, adiantou.

Nesta iniciativa, o executivo comunitário quer então "olhar já para o futuro", pretendendo que as novas vacinas "possam cobrir todas as variantes, as atuais e futuras".

Estipulado está que "nos próximos dias" o executivo comunitário escolha uma farmacêutica que trabalhe com a tecnologia do ARN mensageiro - como a Pfizer/BioNTech ou a Moderna -, cabendo depois à empresa fazer uma oferta, que será negociada entre as partes, prevendo nomeadamente "obrigações mensais" de entrega (em vez de ser por trimestre, como atualmente).

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG