Coronavírus

Como está a pandemia em África? A "segunda vaga" e nova variação da Covid-19

Como está a pandemia em África? A "segunda vaga" e nova variação da Covid-19

As preocupações sobre o impacto da pandemia de covid-19 têm-se centrado, essencialmente, na Europa e nos Estados Unidos da América, onde o número de casos e de fatalidades superam os milhares. África parecia estar longe desta realidade e a contrariar as preocupações projetadas para um continente fragilizado. Mas a verdade é que a covid-19 não dá tréguas e África está a começar a ceder aos efeitos da doença.

Desde o final de setembro que o número de casos não pára de aumentar. Vários países têm vindo a registar novos picos de infeções e os especialistas temem estar perante uma "segunda vaga", que pode ser ainda mais devastadora do que a anterior.

Num continente que já soma mais de 2,6 milhões de casos, a nova variante da covid-19, primeiramente detetada no Reino Unido, está já em África do Sul que, sozinha, ultrapassou o milhão de infeções acumuladas.

Foi inicialmente identificada na Baia Nelson Mandela e rapidamente se espalhou pelo Cabo ocidental e oriental e por KwaZulu-Natal, revelou, em comunicado, o Centro Africano para o Controlo e Prevenção de Doenças (CCPD).

Com o número de mortes a aumentar, oito países, incluindo a Nigéria, o Uganda e o Mali, registaram, recentemente, a maior contagem diária de casos do ano. "A segunda vaga chegou", disse John N. Nkengasong, chefe do CCPD.

Mas o mais preocupante para a comunidade médica não são as mortes registadas, mas sim aquelas que têm ficado esquecidas. Ao "The New York Times", John Black, o único médico especialista em doenças infeciosas para adultos em Port Elizabeth, no sul de África, confessou que teme que várias pessoas estejam a morrer em casa.

O receio de consequências avassaladoras levou o CCPD a aconselhar dos Estados a "reforçar os seus esforços para aumentar as testagens, os rastreamentos de contactos e os tratamentos antecipados" dos casos de covid-19.

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Jovens muito afetados

Mas porque é que o aumento se registou agora e especialmente na África do Sul? Segundo o ministro da saúde, a maioria destas novas infeções estão a registar-se em jovens com idades entre os 15 e os 19 anos devido ao grande número de celebrações que se realizaram para celebrar o fim da época de exames do ano académico, relata a BBC.

"A perceção de risco passou de algo muito assustador no início para algo com o qual as pessoas já não se preocupam", disse Chikwe Ihekweazu, diretor-geral do Centro de Controlo de Doenças da Nigéria ao The New York Times.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, o nível de testes em África ainda é baixo em comparação com outras regiões. Dez países fazem cerca de 70% do total de testes - África do Sul, Marrocos, Etiópia, Egito, Quénia, Nigéria, Camarões, Ruanda, Uganda e Gana. É preciso mais, dizem.

A braços com fracas infraestruturas de saúde, poucos médicos, falta de recursos e muitas outras doenças que no velho continente nem se conhecem, Africa luta agora para combater um vírus que parece ter escolhido o frágil pedaço de terra para mostrar as últimas peripécias. Até que cheguem as vacinas.

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