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Conclusões russas sobre morte de Arafat são "declaração política"

Conclusões russas sobre morte de Arafat são "declaração política"

Um dos peritos suíços que analisou amostras do corpo de Yasser Arafat afirmou, esta quinta-feira, que as conclusões da equipa russa excluindo o envenenamento do líder histórico palestiniano são uma "declaração política" sem fundamento científico.

"Os russos avançam coisas sem fornecer qualquer dado ou qualquer argumento científico, pelo que, para mim, não significa nada, é uma declaração política", disse François Bochud, diretor do Instituto de Radiofísica de Lausanne, à agência France Presse, precisando que o relatório russo não lhe foi enviado.

Bochud é um dos autores de um relatório publicado a 7 de novembro que privilegia a tese do envenenamento de Arafat por polónio. Os peritos suíços indicaram no documento ter medido níveis de polónio até 20 vezes superiores aos normais, mas não afirmam categoricamente que a substância, altamente radioativa, tenha provocado a morte do dirigente palestiniano.

O cadáver de Arafat, que morreu em 2004, foi exumado em 2012 e cerca de 60 amostras foram distribuídas por três equipas de peritos - uma russa, uma suíça e uma francesa.

A equipa russa afastou hoje a hipótese de envenenamento, à semelhança das conclusões da equipa francesa, cujo relatório, divulgado no início de dezembro, foi criticado pela viúva.

"Vi na internet que os russos disseram ou deram a entender que nós teríamos mudado de opinião depois (da divulgação) do relatório deles. Isso é completamente falso, desde já porque não vimos o relatório deles e porque os argumentos que demos continuam a ser totalmente válidos", disse Bochud.

"O nosso ponto de vista não mudou, isso é certo. Não dizemos ter provas de que morreu envenenado com polónio, dizemos que os dados que temos apoiam razoavelmente a tese de envenenamento. Mas, dizer o contrário com os mesmos dados, parece-nos verdadeiramente falacioso", acrescentou, sublinhando esperar vir a receber o relatório dos russos.

"Se o pudermos ter, poderemos falar de coisas concretas", disse.

Bochud afirmou ainda que, segundo as autoridades palestinianas, que viram o relatório russo, o documento revela "valores similares" aos medidos pelos suíços.

Yasser Arafat morreu a 11 de novembro de 2004 num hospital militar em Paris, sem que os médicos soubessem determinar a causa exata de morte. O corpo não foi autopsiado, a pedido da viúva, Suha Arafat.

Mas, em julho de 2012, Suha apresentou na justiça francesa uma queixa contra desconhecidos, depois da descoberta de níveis anormais de polónio nos objetos pessoais do marido.