Discriminação

Concursos de beleza considerados "violência simbólica" no México

Concursos de beleza considerados "violência simbólica" no México

Oaxana, no México, tornou-se no primeiro estado mexicano a proibir a utilização de fundos públicos para a realização de concursos de beleza, uma vez que estes envolvem "violência simbólica".

O estado mexicano de Oaxaca é o primeiro reconhecer que concursos de beleza, como o "Miss Universo" ou o "Miss Mundo", envolvem "violência simbólica". A decisão do Congresso de Oaxaca não proíbe a realização dos concursos de beleza, no entanto, impede que fundos públicos sejam utilizados para financiar estes eventos.

Os deputados consideraram que estes concursos, onde o corpo e a beleza da mulher são avaliados, promovem "estereótipos sexistas" que discriminam as características físicas das concorrentes. A iniciativa de considerar esses eventos violência simbólica foi promovida pela deputada Magaly López Domínguez, integrante do Grupo Parlamentar de Morena.

Violência simbólica é uma forma de violência exercida pelo corpo, sem coação física, que causa danos psicológicos. Baseia-se na construção contínua de crenças no processo de socialização, que induzem o indivíduo posicionar-se no espaço social, segundo os critérios e padrões do discurso dominante.

De acordo com o artigo 18 da Lei Estadual de Acesso da Mulher à Vida Livre de Violência de Género, a violência na esfera social ou na comunidade trata-se de atos "individuais ou coletivos que violam os direitos fundamentais das mulheres e promover sua difamação, discriminação, marginalização ou exclusão no campo público".

A partir de agora, a lei em Oaxaca inclui a proibição do uso de qualquer recurso público para atos em que seja avaliado o físico de mulheres de qualquer idade.

A atualização da lei proíbe municípios, órgãos estaduais, bem como órgãos autónomos, de destinar publicidade ou subsídios para a promoção destas atividades.

PUB

A decisão é anunciada numa época de transformação no mundo dos concursos de beleza. No último concurso "Miss Mundo", realizado em 2019, uma mulher negra fez história ao levar a coroa. Nesse mesmo ano, outras cinco mulheres negras venceram outras competições.

Um ano antes, Ángela Ponce, uma jovem transexual espanhola, venceu o concurso de "Miss Universo" em Espanha e surgiu como um ícone da diversidade e do ativismo. Swe Zin Htet, representante de Mianmar no concurso "Miss Universo," também rompeu o molde e foi a primeira a perder nesta competição por declarar abertamente ser homossexual, o que é punido por lei no seu país.

Contudo, ainda há muita controvérsia em torno destes eventos. Veronika Didusenko, uma modelo que foi coroada "Miss Ucrânia" em 2018, perdeu o título quatro meses após a competição, depois dos organizadores descobrirem que ela tinha um filho. "De acordo com as regras do concurso nacional de beleza Miss Ucrânia", disse a organização em um comunicado, "a modelo deve atender aos seguintes requisitos: não ser ou ter sido casado e não ter filhos".

Em muitos concursos de beleza ainda é comum pedir aos competidores uma lista de atributos físicos, com medidas específicas do tórax, altura não inferior a 1,70 metros, entre outros. Além disso, são também exigidas certas características pessoais, como não ter sido mãe.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG