Irlanda do Norte

Confrontos em Dublin num protesto contra a visita de Isabel II

Confrontos em Dublin num protesto contra a visita de Isabel II

A polícia de Dublin dispersou, esta terça-feira, um grupo de manifestantes em protesto contra a presença da rainha de Inglaterra, pouco depois de Isabel II ter iniciado uma visita de quatro dias à Irlanda.

Identificados com o Eirigi, partido socialista republicano cujo nome, em gaélico, significa «Ergam-se», os cerca de 30 manifestantes tentaram invadir o perímetro de segurança junto à O'Connell Street, uma das principais artérias da cidade, onde estava prevista a passagem de Isabel II.

Empunhando cartazes com a inscrição "Britain out of Ireland" (Grã-Bretanha fora da Irlanda) e entoando o slogan "Who's streets? Our streets" (As ruas de quem? As nossas ruas) os protestantes foram travados pela polícia após cerca de 20 minutos de confrontos.

"Estamos a protestar contra a presença da rainha de Inglaterra nas ruas de Dublin. A Grã-Bretanha ainda tem 40 mil soldados na Irlanda. Há cerca de 10 mil agentes aqui presentes, o Estado gastou cerca de 30 milhões de euros para evitar protestos, mas dá para ver que há aqui muita raiva contra esta visita", disse à agência Lusa George, um dos manifestantes. Membro do Erigi, George lamentou que haja "escolas e hospitais a fechar" e que se gastem "30 milhões numa das mulheres mais ricas do mundo que representa uma classe de parasitas de elite".

Segundo o activista, as autoridades tentaram fazer passar a ideia, ao longo das últimas semanas, de que não havia oposição à primeira visita de um monarca inglês à Irlanda em 100 anos, depois da independência declarada em 1922. Jorge V, avô de Isabel II, esteve em solo irlandês em 1911. "Tivemos vários incidentes durante as últimas semanas, impediram-nos de colocar cartazes a anunciar protesto que estávamos a organizar. Tentam passar a ideia de que as relações entre a Grã-Bretanha e a Irlanda são normais, mas podemos ver que este número de agentes não é normal Há também elementos do exército nas ruas e aviões no ar. Isto não é uma relação normal", acrescentou.

Rodeada por um dispositivo de segurança sem precedentes, a viagem de quatro dias destina-se a sublinhar as fortes relações anglo-irlandesas e a paz na vizinha Irlanda do Norte, mas vários incidentes têm marcado a a deslocação de Isabel II.

Dissidentes do Exército Republicano Irlandês (IRA), opostos a qualquer compromisso com a Inglaterra, fizeram ameaças de bombas. Esta madrugada peritos do exército irlandês desarmadilharam um engenho explosivo num autocarro com destino a Dublin, horas antes da chegada da rainha.

Os comandantes do exército irlandês e a guarda de honra receberam a rainha e o príncipe Filipe de Edimburgo, à chegada a um aeroporto militar nos arredores de Dublin.

No primeiro dia, Isabel II vai almoçar com a presidente irlandesa, Mary McAleese, visitar a universidade Trinity College Dublin e depor uma coroa de flores em honra dos rebeldes irlandeses mortos.