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Confrontos no Egito entre manifestantes e polícia

Confrontos no Egito entre manifestantes e polícia

Polícias e manifestantes envolveram-se, esta madrugada, em confrontos no Cairo, Egito, um dia depois de mais de duas mil pessoas terem provocado distúrbios na embaixada dos EUA.

A polícia egípcia lançou gases lacrimogéneos contra manifestantes que protestavam contra um filme sobre o islão, à frente da embaixada dos Estados Unidos no Cairo, segundo imagens transmitidas pela televisão pública.

Segundo o ministério da Saúde egípcio, 13 pessoas ficaram feridas em atos esporádicos que começaram durante a noite.

Os confrontos foram desencadeados pelos manifestantes, que "atiraram pedras e garrafas com explosivos contra as forças da ordem encarregadas de assegurar a segurança da embaixada", segundo o Ministério do Interior.

A televisão pública difundia em direto imagens dos confrontos. Veículos blindados estavam a ser destacados para o local.

Na véspera, o Governo egípcio tinha apelado à população para dar provas de "contenção" quando exprimem a "ira" contra o filme sobre o islão que está a provocar vivas reações no país e faz temer novas tensões entre muçulmanos e cristãos coptas.

O filme "A Inocência dos Muçulmanos", sobre o profeta Maomé, está na origem dos ataques de terça-feira à noite contra as missões diplomáticas dos Estados Unidos no Egito e na Líbia.

O filme pretende descrever a vida do profeta Maomé e evoca nomeadamente os temas da homossexualidade e da pedofilia.

O realizador Sam Bacile, que se identifica como judeu israelita, afirmou que o filme vai ajudar Israel ao expor as falhas do Islão ao mundo. "O Islão é um cancro, ponto final", disse várias vezes à agência AP. O governo egípcio criticou o filme, considerando-o "imoral e ofensivo", mas pediu à população para dar mostras "de moderação".

"Todos os egípcios, muçulmanos e cristãos, exprimem a sua rejeição deste insulto", disse o primeiro-ministro Hicham Qandil, considerando também lamentáveis os incidentes na véspera na embaixada dos Estados Unidos, onde alguns manifestantes conseguiram retirar a bandeira norte-americana para a substituir por uma bandeira islâmica.