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Congresso evita fecho do governo mas agenda de Biden continua ameaçada

Congresso evita fecho do governo mas agenda de Biden continua ameaçada

O Congresso dos EUA evitou na quinta-feira o encerramento dos serviços do governo federal, horas antes de este ficar sem financiamento, mas este êxito foi eclipsado pela guerra no Partido Democrata, que ameaça a agenda do presidente Biden.

O encerramento administrativo não era do interesse de democratas ou de republicanos e teria forte impacto negativo na economia dos EUA, e mundial também, como apontou a jornalista da agência Efe, Beatriz Pascual Macías.

Neste contexto, o Congresso aprovou nas últimas horas o aumento daqueles fundos até 3 de dezembro, altura em que vão ter de chegar a outro acordo para evitar o cenário de encerramento dos serviços do governo federal, o designado "shtudown".

O Senado, de maioria democrata, tal como a Câmara de Representantes, foi o primeiro a aprovar a iniciativa, com 65 votos a favor e 35 contra, após o que a câmara baixa do Congresso fez o mesmo, com 254 votos a favor e 175 contra.

Agora, é só o presidente Joe Biden assinar o texto, para este entrar em vigor.

Nos últimos 45 anos, houve 20 "shutdowns", que na sua maioria duraram apenas um dia. O mais prolongado, de 35 dias, ocorreu durante a presidência de Donald Trump.

Desta vez a aprovação da lei para financiar o governo foi atrasada devido à disputa entre democratas e republicanos sobre a suspensão do limite à divida federal para evitar que os EUA entrassem pela primeira vez na história em situação de incumprimento, a partir de 18 de outubro.

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No início, os democratas vincularam a aprovação da lei para evitar o encerramento dos serviços do governo federal ao teto da divida, mas tiveram que separar os dois assuntos, devido à oposição republicana ao aumento da dívida.

A secretária do Tesouro, Janet Yellen, e o presidente da Reserva Federal, Jerome Powell, insistiram na quinta-feira que a falta de ação teria consequências "catastróficas" para os EUA, considerando "essencial" e "imperativo" que democratas e republicanos chegassem a acordo.

"É imperativo que o Congresso encare o limite da dívida (...). É necessário para evitar um evento catastrófico para a nossa economia", advertiu Yellen, ao ser ouvida na Câmara dos Representantes.

Ma este assunto está longe de uma resolução, com ambos os campos a não darem sinais de cedência.

O outro assunto onde parece difícil um acordo é o da agenda de reformas de Biden, que está presa por um fio nas divisões entre as alas progressista e centrista dos democratas.

Para quinta-feira estava previsto que a Câmara dos Representantes votasse uma lei destinada a reconstruir infraestruturas, no montante de 1,2 biliões (milhão de milhões) de dólares (um bilião de euros), mas os 95 congressistas da ala esquerda dos democratas já ameaçaram votar contra, se não se chegar antes a acordo para aprovar um grande pacote de investimentos de cariz social e ambiental.

Estes investimentos, impulsionados por Biden, assentam em um aumento de impostos sobre empresas e indivíduos ricos e visam aumentar a cobertura sanitária, lutar contra a pobreza, melhorar a educação e avançar com ações concretas contra as alterações climáticas.

No início, os progressistas queriam que este plano contemplasse medidas avaliadas em até 10 biliões de dólares, mas aceitaram reduzi-lo para 3,5 biliões.

Contudo, na quinta-feira, o senador democrata centrista Joe Manchin, eleito pelo Estado da Virgínia Ocidental, convocou de surpresa uma conferência de imprensa, na qual disse que só apoia medidas que não excedam os 1,5 biliões.

Enquanto os vários grupos faziam declarações à comunicação social, dentro e fora do Congresso, a presidente da Câmara dos Representantes, a democrata Nancy Pelosi, procura desde há horas conseguir um acordo entre os congressistas do seu partido, e considera que pode consegui-lo.

Biden, que tem sido criticado por alguns congressistas pelo seu papel discreto nas negociações, procurou nos últimos dias uma ação mais efetiva, designadamente desdobrando-se em telefonemas com congressistas.

Em causa estão não apenas as ideias que levaram Biden à Casa Branca, mas também a imagem dos democratas e as suas credenciais quando se aproximam eleições legislativas no próximo ano.

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