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Cônsul pode ter ligações com "falso diplomata" que encobriu fuga de traficante da Rocinha

Cônsul pode ter ligações com "falso diplomata" que encobriu fuga de traficante da Rocinha

O cônsul honorário do Congo no Brasil, o carioca Amaro Pinheiro Neto, poderá ter ligações a "falso cônsul" que tentou encobrir a fuga do ex-chefe do tráfico de drogas na Rocinha, o "Nem", há duas semanas.

Segundo uma reportagem do jornal "O Globo", o verdadeiro cônsul é investigado, desde Janeiro, por suspeitas de falsificação de um documento público. As investigações decorrem no estado do Amapá, no norte do Brasil.

No início deste mês, o traficante António Bonfim Lopes, conhecido como "Nem", foi detido pela polícia quando tentava fugir da favela da Rocinha na bagageira de um automóvel Toyota.

Quando o carro foi mandado parar pelos polícias, um homem chamado André Luís Soares Cruz identificou-se como sendo o cônsul honorário do Congo no Brasil e alegou imunidade diplomática para que o veículo não fosse revistado.

Após o episódio, o verdadeiro cônsul apresentou-se à polícia para ajudar a esclarecer o facto e afirmou, em declarações à imprensa nacional, que não conhecia o homem que se fazia passar por ele.

A reportagem do jornal "O Globo" revela que André Soares chegou a actuar como advogado do verdadeiro cônsul num processo por danos morais, movido no Rio de Janeiro. Os dois também já teriam viajado juntos para o Congo.

Pinheiro Neto admitiu ao jornal ter mentido sobre quando disse que não conhecia o falso cônsul, alegando que o fez para preservar a sua integridade moral e a da sua família.

O verdadeiro cônsul informou ainda que foi apresentado a André Soares durante uma festa, em 2007, e que o costumava ver em Santa Teresa, bairro onde ambos viviam.

Ainda de acordo com Pinheiro Neto, o falso diplomata teria se apresentado a ele como cônsul do Sri Lanka.

O mistério à volta da relação de ambos ainda não foi esclarecido. O falso cônsul foi apanhado em flagrante e responderá por "favorecimento pessoal".

Já o verdadeiro cônsul deverá perder o seu título após o mal-estar provocado pela história, segundo o Ministério das Relações Exteriores do Brasil.