Austrália

Consumiu heroína aos 13 anos após alegados abusos do cardeal George Pell

Consumiu heroína aos 13 anos após alegados abusos do cardeal George Pell

Uma vítima dos alegados abusos sexuais do cardeal australiano George Pell, acusado de pedofilia, consumiu heroína quando tinha 13 anos, pouco depois de ter sido molestado, segundo os pais.

A vítima, um dos menores que sofreram abusos por parte do cardeal em 1996, começou a drogar-se e morreu em 2014 de overdose.

O pai do falecido disse, em entrevista exclusiva à ABC News que vai ser transmitida esta segunda-feira na Austrália, que teve conhecimento dos abusos sexuais do cardeal ao seu filho depois da sua morte e quando foi uma apresentada queixa contra Pell.

"Foi devastador ver o meu filho numa espiral (de autodestruição). Foi muito difícil de ver", acrescentou a mãe, que disse ter perguntado ao filho, em pelo menos duas ocasiões, se tinha sido vítima de abuso sexual, embora nunca tenha revelado o que aconteceu.

O pai da vítima disse que planeia processar o cardeal de 77 anos ou a Igreja Católica pelos danos causados ao seu filho.

A sentença do cardeal Pell será lida a 13 de março e os seus advogados já adiantaram que irão recorrer da condenação.

De acordo com a Associated Press, o cardeal, agora com 77 anos, mas com 55 no momento dos factos pelos quais foi condenado, enfrenta uma pena de prisão máxima de 50 anos.

O júri condenou o clérigo por pedofilia, considerando-o culpado de ter abusado de dois rapazes de 13 anos, que pertenciam ao coro da igreja, e que foram apanhados pelo cardeal a beber vinho sacramental numa sala nas traseiras da St. Patrick's Cathedral, em Melbourne, quando era arcebispo, tendo os abusos decorrido na sequência desse momento.

O tribunal, que apenas ouviu uma das vítimas, uma vez que a outra morreu há alguns anos, considerou provado que o cardeal forçou os rapazes a atos indecentes.

O veredicto foi dado pelo tribunal em dezembro e noticiado pela imprensa australiana, apesar das restrições impostas.

O julgamento, as acusações específicas, o testemunho e quase todos os outros detalhes envolvendo as acusações contra o cardeal de 77 anos não puderam ser divulgados por decisão do tribunal, que proibiu a imprensa australiana de noticiar.

O julgamento foi realizado perante o juiz Peter Kidd, do Tribunal de Comarca do Estado de Victoria.

Desde agosto de 2017 que o cardeal australiano enfrenta um processo por supostos crimes sexuais contra menores.

Em dezembro de 2018, o Papa afastou George Pell do seu círculo de conselheiros, assim como o cardeal Francisco Errázuriz, suspeito de encobrir atos pedófilos de um eclesiástico no Chile, e expulsou do sacerdócio o ex-cardeal e arcebispo emérito de Washington, Theodore McCarrick, acusado de abusos sexuais a menores e a seminaristas.

A confirmação da condenação de Pell surge dias depois de ter terminado no Vaticano uma cimeira histórica organizada a pedido do papa Francisco para abordar a questão dos abusos sexuais por membros da igreja católica.

A cimeira, que juntou responsáveis de episcopados e institutos religiosos e na qual também se ouviram testemunhos de vítimas, terminou com a apresentação de oito passos para a luta contra esses abusos.

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