Espanha

Contra-relógio em Espanha para evitar a maioria absoluta do PP

Contra-relógio em Espanha para evitar a maioria absoluta do PP

O último dia de campanha eleitoral em Espanha divide protagonismo com os juros da dívida do país, que esta sexta-feira bateram novos recordes nos mercados internacionais. Rajoy evita erros de última hora, enquanto Rubalcaba procura evitar um resultado desastroso.

"Preocupa-me que a direita consiga um poder absoluto". A manchete desta sexta-feira do diário "El País", que publicava uma entrevista com Alfredo Pérez Rubalcaba no último dia de campanha eleitoral, dava conta da principal preocupação dos socialistas. Com todas as sondagens a apontarem para uma vitória folgada por parte do Partido Popular, o candidato do PSOE a presidente do Governo espanhol limita-se a dar tudo por tudo para tentar evitar que a direita alcance a maioria absoluta.

Com uma mensagem baseada na "mudança" e no desgaste do Governo de Zapatero, tudo indica que o PP se prepara para conquistar amanhã o melhor resultado de sempre numa eleição. A juntar à provável maioria absoluta no Congresso de deputados, o partido conservador conta ainda com metade das autarquias e com 11 das 17 Comunidades Autónomas do país, resultado das eleições celebradas em Maio deste ano. Tudo junto, os populares poderiam tornar-se na força política a concentrar mais poder na história da democracia espanhola.

Ao mesmo tempo, Rubalcaba procura evitar uma derrota que debilite de tal forma os socialistas, que os faça perder no futuro capacidade de negociação.

Rajoy conseguiu assim levar quase até ao final da campanha a estratégia de evitar abordar medidas menos populares. No entanto, o turbilhão financeiro em que Espanha mergulhou nos dias que antecederam as eleições, obrigaram à tomada de posições: o candidato conservador admitiu que a sua política será a dos "cortes": em tudo, "menos nas pensões". Por sua vez, os socialistas aproveitaram para pedir o voto contra o "programa oculto" do PP.

O aparente vazio das mensagens dos candidatos nesta campanha parece demonstrar que, seja qual for o candidato eleito, a sua capacidade de actuação será limitada. Num momento em que a sustentabilidade das finanças do país se vê ameaçada pelos elevados níveis dos juros exigidos pelos investidores no mercado de dívida soberana, muitos acreditam que quem irá tomar as rédeas do país no futuro próximo estará em Bruxelas.

Indignados contra o bipartidismo

À margem dos discursos dos principais partidos, movimentos populares como o 15-M voltarão às praças de todo o país este fim-de-semana. Coincidindo com o início do dia de reflexão, foi convocada uma vigília na emblemática praça Puerta del Sol para demonstrar, entre outras coisas, a rejeição dos indignados ao bipartidismo. Com lemas como "não nos representam", os activistas manifestam-se contra as forças que denominam de PPSOE e o candidato Rubaljoy.

Os indignados preparam, por isso, um debate em torno à Lei Eleitoral espanhola, que pretendem ver alterada, uma vez que beneficia os dois principais partidos e as forças nacionalistas e prejudica outras formações minoritárias. Assim se explica, por exemplo, que nas últimas eleições a Izquierda Unida tenha obtido apenas dois deputados com 3,7% dos votos, enquanto que o partido catalão Convergência i Unió conseguiu eleger 10 representantes com 3% dos votos.

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