Covid-19

Controlos sanitários de cinco horas nos aeroportos chineses

Controlos sanitários de cinco horas nos aeroportos chineses

Quem chega ao aeroporto Internacional de Xangai, na China, debate-se com um cenário peculiar: há controlos sanitários um pouco por todo o lado. Começam logo dentro do avião - duas horas - e estendem-se na aerogare por mais três.

São inquéritos, medições de temperatura corporal constantes e vários testes a todos os passageiros vindos do estrangeiro e que possam pôr ainda mais em risco um país que contabiliza mais de três mil mortos por causa do coronavírus. "No aeroporto somos inspecionados por técnicos que usam uns fatos semelhantes a um astronauta", conta, ao JN, Luís Miguel, treinador adjunto de Vítor Pereira no Shanghai SIPG, depois de ter estado em quarentena em Portugal.

Os rigores típicos da cultura asiática, já muito habituada a este tipo de epidemias, contrastam com a realidade mais descontraída vivida na quarta-feira no aeroporto de Lisboa, onde Luís Miguel viu uma metodologia de trabalho como se o coronavírus ainda não tivesse chegado a Portugal: "Os funcionários do aeroporto não usam máscara e não há controlos de temperatura aos passageiros, que estão muito perto uns dos outros. Temo que isso possa ser uma grande fonte de contágio caso haja um infetado". No entanto, ontem, a ANA - Aeroportos de Portugal comunicou que vai instalar "equipamentos de medição da temperatura corporal" nos aeroportos do Porto, Faro, Madeira e Ponta Delgada. Em Lisboa, aliás, já estão operacionais.

Durante a viagem entre Lisboa e Singapura, onde fez escala antes de aterrar em Xangai, na China, este treinador adjunto voltou a deparar-se com uma realidade que considera ser "perigosa e pode colocar em causa a saúde dos passageiros" por falta de preparação técnica da tripulação: "Quando regressei a Portugal viajei na Air China e as hospedeiras usavam uma viseira nos olhos e luvas. As refeições estavam completamente seladas. Eu senti-me protegido nessa viagem. Agora, quando voltei para a China, senti-me muito desprotegido. As hospedeiras não tiveram esses cuidados".

Luís Miguel, que viveu de perto o surto do coronavírus na China, não tem dúvidas: "Em Portugal, as pessoas ainda não estão devidamente preparadas".

Quarentena para quem chega

De forma a proteger a população portuguesa, a diretora geral da saúde, Graça Freitas, revelou que quem entrar em Portugal na próxima semana terá de cumprir um período de quarentena obrigatória durante 14 dias. A medida foi anunciada ontem e curiosamente já é praticada em outros países, entre eles na China, onde começaram os primeiros focos de contágio do coronavírus e depois se estenderam até à Europa, nomeadamente a Itália onde já há mais de quatro mil mortes.

"A indicação genérica é que quem entra em Portugal vai ter de ficar em isolamento profilático durante 14 dias. As autoridades de saúde podem fazer uma avaliação mais fina do risco e tomar medidas que excecionem esta regra", explicou Graça Freitas, em conferência de imprensa. Esta decisão surge no âmbito de uma ideia já defendida pela diretora geral da saúde nos últimos dias e foi ontem oficializada e enquadra-se num plano de proteção à população portuguesa, no combate à propagação do coronavírus.

Inquéritos e testes

Quando um passageiro chega a um aeroporto chinês tem de se submeter a vários testes específicos para despistar o coronavírus. Também são feitos inquéritos sobre o estado de saúde das pessoas.

Cuidados na viagem

As hospedeiras da companhia aérea chinesa Air China Airlines usam máscara durante as viagens e viseira para os olhos. As refeições servidas aos passageiros são seladas e higienizadas.

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