Alterações climáticas

Corais na Austrália vão enfrentar novo "branqueamento" pela terceira vez

Corais na Austrália vão enfrentar novo "branqueamento" pela terceira vez

Vários cientistas estão a alertar para as graves consequências das alterações climáticas, nomeadamente o aquecimento das águas, nos corais de todo o mundo. A Grande Barreira de Coral na Austrália corre o risco de ter um branqueamento de grande dimensão pela terceira vez na sua História em apenas cinco anos.

O conceito de branqueamento do coral parece estranho, mas não é tão incomum quanto se pensa. Segundo a "National Ocean Service" (Serviço Nacional dos Oceanos), uma agência do governo dos Estados Unidos, quando os corais ficam "stressados" seja pela temperatura, luz ou nutrientes, estes expulsam determinadas algas que estão nos seus tecidos, tornando-se mais brancos. Vários cientistas veem agora afirmar que caso a temperatura dos oceanos não baixe nas próximas duas semanas, o calor pode novamente prejudicar a Grande Barreira de Coral, localizada no nordeste da Austrália e um dos maiores ecossistemas do mundo.

Citado pelo jornal britânico "The Guardian", Terry Hughes, diretor do Centro de Excelência para Estudos sobre Recifes de Coral da Universidade de James Town, na Austrália, afirmou que "estamos mesmo no limite". As áreas mais afetadas pelo aumento da temperatura da água na Grande Barreira de Coral são as zonas centrais e do sul deste ecossistema, e curiosamente as mais visitadas pelos turistas.

A temperatura à superfície da água é atualmente 1,5.ºC graus mais alta em grandes áreas do recife e espera-se que dentro de um mês o calor atinja um novo pico. "Estamos preocupados com o nível de aquecimento que temos neste momento, faltam quatro semanas para que atinjamos o pico de temperaturas de verão. Isto acontece geralmente em março", esclarece Terry Hughes. Tudo dependerá agora de como a meteorologia se vai comportar nas próximas duas semanas.

Os cientistas estão ainda mais preocupados porque a temperatura é mais alta do que anos anteriores e está a seguir os padrões de 2016 e 2017, uma altura em que metade dos corais morreu devido aos branqueamentos sucessivos. Esse é outro dos senãos: caso os branqueamentos sejam severos, os corais acabam mesmo por morrer e deixam de ser uma fonte de alimento para outros seres vivos.

Segundo a revista "National Geographic", metade dos corais da Grande Barreira morreram devido ao branqueamento: 30% deles morreram em 2016 e outros 20% morreram em 2017. "O efeito é semelhante a uma floresta após um incêndio devastador", lê-se no artigo.

A agência do governo da Austrália responsável pelos serviços de meteorologia, "Bureau of Meteorlogy", prevê que as zonas norte dos recifes registem uma temperatura mais fria na água, mas não se espera que o mesmo aconteça nas zonas central e sul. A ministra do Meio Ambiente da Austrália, Sussan Ley, também já lançou alerta e disse que "padrão climático previsto continua preocupante".

O Fundo Mundial para a Vida Selvagem ("World Wide Fund") da Austrália juntou-se ao coro de avisos e o diretor Richard Leck afirmou que "a Grande Barreira dos Coral está no fio da faca" e só as próximas semanas poderão demonstrar se o ecossistema vai enfrentar um grande branqueamento pela terceira vez em apenas cinco anos.

A Grande Barreira de Coral da Austrália foi considerada Património Mundial da UNESCO em 1981. É atualmente protegida pelo Parque Marinho da Grande Barreira de Coral contra a pesca e o turismo invasivo, mas o aumento do aquecimento das águas, motivado pelos gases de efeito de estufa, vai determinar se o futuro de um dos maiores ecossistemas naturais será ou não sustentável.

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