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Coreia do Norte propõe encontro de famílias separadas pela guerra

Coreia do Norte propõe encontro de famílias separadas pela guerra

A Coreia do Norte fez, esta sexta-feira, uma súbita proposta para retomar os encontros de famílias separadas desde a Guerra da Coreia (1950-53), afirmando que este programa podia melhorar os laços com o Sul.

A Coreia do Sul congratulou-se de imediato com a proposta, no âmbito de uma série recente de gestos de aproximação do país comunista.

A Cruz Vermelha norte-coreana enviou um fax à homóloga sul-coreana, a propor um encontro de famílias depois ao Ano Novo Lunar, a 31 de janeiro, de acordo com a agência oficial da Coreia do Norte, KCNA.

O Norte sugeriu que o Sul pode escolher uma data que "considere conveniente" depois do Ano Novo Lunar, quando se regista uma melhoria das condições meteorológicas.

A Cruz Vermelha da Coreia do Norte é afiliada com o Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV), mas sob controlo estatal.

O ministério da Unificação sul-coreano, encarregado das questões intercoreanas, afirmou que ia enviar, mais tarde, uma proposta de data e outros pormenores sobre o encontro de famílias.

No início deste mês, a presidente da Coreia do Sul, Park Geun-hye, pediu que se realizasse um novo encontro de famílias coreanas, por ocasião do Ano Novo Lunar. Mas o Norte rejeitou o pedido, invocando os exercícios militares conjuntos Coreia do Sul-Estados Unidos como um obstáculo à realização do encontro.

Milhões de coreanos ficaram separados pela Guerra da Coreia (1950-53), que consolidou a divisão da península.

A maioria morreu sem ter vivido a oportunidade de se reunir com familiares, vistos pela última vez há seis décadas. O programa de encontros começou em 2000, na sequência de uma cimeira intercoreana histórica.

Sem estes encontros organizados pelas autoridades dos dois países, não existem outro tipo de oportunidades ou para qualquer outro tipo de contacto entre famílias coreanas separadas pela fronteira.

Desde 2000, realizaram-se alguns encontros esporádicos, que permitam a cerca de 17 mil pessoas voltarem a ver familiares.

O último destes encontros decorreu no final de 2010, antes do programa ser suspenso, depois de o Norte ter bombardeado a ilha sul-coreana de Yeonpyeong, junto à fronteira.

Cerca de 72 mil sul-coreanos - metade dos quais com mais de 80 anos - ainda estão vivos e esperam uma oportunidade para ser selecionado para estes encontros. Apenas algumas centenas de participantes são admitidos por encontro.

As duas Coreias continuam tecnicamente em guerra, uma vez que o conflito terminou com a assinatura de um armistício e não de um tratado de paz.

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