Diplomacia

Coreia do Sul e EUA cancelam manobras militares para dialogar com Coreia do Norte

Coreia do Sul e EUA cancelam manobras militares para dialogar com Coreia do Norte

A Coreia do Sul e os Estados Unidos decidiram cancelar manobras militares conjuntas previstas para dezembro para apoiar o diálogo sobre a desnuclearização com a Coreia do Norte, anunciaram os ministros da Defesa de ambos países.

O anúncio foi feito por ambos os países numa conferência de imprensa conjunta à margem de uma reunião de responsáveis da Defesa da Associação de Nações do Sudeste Asiático.

"Tomamos esta decisão como um gesto de boa vontade para contribuir para um ambiente propício à diplomacia e à paz", explicou o secretário de Estado da Defesa dos Estados Unidos, Mark Esper.

"Alentamos a República Popular Democrática da Coreia [nome oficial da Coreia do Norte] a que demonstre a mesma boa vontade", disse Esper, ao mesmo tempo que instou Pyongyang a "voltar à mesa de negociações sem condições prévias ou dúvidas a respeito".

Os aliados tinham previsto realizar exercícios aéreos em dezembro, o que levou a críticas de Pyongyang apesar de a escalada de manobras se ter reduzido.

Estas não são as primeiras manobras que Seul e Washington modificam ou cancelam para favorecer o processo diplomático aberto com a Coreia do Norte no ano passado.

O anúncio pretende ajudar o processo de desnuclearização, que está bloqueado desde a fracassada cimeira de fevereiro em Hanói, no Vietname, onde Washington considerou insuficiente a oferta de Pyongyang referente ao desmantelamento dos seus ativos nucleares e negou-se a levantar sanções económicas.

Ambas as partes celebraram uma reunião de trabalho em outubro em Estocolmo, mas o encontro acabou com os norte-coreanos a acusarem os norte-americanos de não oferecerem nada de novo e de manterem ativa a sua "política hostil".

Os peritos consideram que, sem avanços, a Coreia do Norte pode a partir do Ano Novo realizar novos ensaios com armas, especialmente de mísseis de alcance intermédio, como estratégia para pressionar Washington e os restantes aliados norte-americanos da região.