Covid-19

Cortes até 30 minutos na Austrália e namoradas de tesoura na mão: cabelos na quarentena

Cortes até 30 minutos na Austrália e namoradas de tesoura na mão: cabelos na quarentena

Em tempo de quarentena e com alguns serviços encerrados, como cabeleireiros e barbeiros, é preciso arranjar alternativas para manter o corte de cabelo. Na Austrália, onde estes estabelecimentos ainda estão abertos, limitou-se o tempo de atendimento e definiu-se uma distância de segurança. Mas noutros países, como Portugal, em que os serviços estão fechados, recorre-se a outras estratégias e até se confia a tesoura e a máquina aos namorados e namoradas.

Com o surto da epidemia de Covid-19, a Austrália começou por ordenar a estabelecimentos como cabeleireiros e barbeiros que limitassem o tempo de atendimento aos clientes por um máximo de 30 minutos. Mas com a evolução dos números - já morreram 13 pessoas no país com a doença - e a indignação de alguns profissionais da área, o Governo australiano decidiu alterar as regras para estes serviços, determinando antes uma área de segurança de "quatro metros quadrados por pessoa".

Os salões e barbearias foram autorizados a permanecer abertos, apesar de outros serviços terem sido encerrados devido ao novo coronavírus e de alguns estabelecimentos estarem contra a medida e apelarem para todos fecharem, diz a BBC.

No início da semana, o primeiro-ministro da Austrália, Scott Morrison, anunciou uma série de novas restrições, incluindo o encerramento de centros recreativos, bibliotecas e museus a partir da meia-noite de quarta-feira.

O primeiro-ministro disse que os cabeleireiros e barbeiros poderiam permanecer abertos desde que mantivessem o distanciamento social, limitassem o número de clientes dentro das instalações e limitassem as sessões a 30 minutos.

No entanto, alguns profissionais da área, como o diretor-executivo da empresa Just Cuts, Denis McFadden, dizem que manter essa distância é impossível. "Precisamos que o Governo feche todos [os estabelecimentos]", afirmou, citado pela BBC.

"Isso faz sentido? Estou a tocar no cabelo do cliente e os nossos cabeleireiros fazem isso todos os dias", disse McFadden, acrescentando que enquanto não fosse ordenado o encerramento dos estabelecimentos os funcionários não estariam em segurança.

"Quando isso acontecer, haverá uma rede de segurança para a nossa equipa e os proprietários também agradecem as rendas que vamos pagar. Peço aos governos que considerem isso perigoso", apelou o profissional.

Cortar o cabelo em casa... nem sempre corre bem

Ao contrário da Austrália, vários países, como Portugal, decidiram encerrar todos os serviços considerados "não essenciais", nos quais se incluem cabeleireiros e barbeiros. Então, para evitar cabelos e barbas desleixadas, as pessoas estão a encontrar alternativas dentro de casa, algumas por elas próprias, outras com recurso aos respetivos companheiros e companheiras. Um teste de confiança, portanto.

"Fazemos um bom trabalho em estar isolados, deixei a Sophie tentar um "fade" [estilo de corte de cabelo] e agora parece que estou prestes a destruir a América", brincou o utilizador britânico Daniel Rundle no Twitter. No Reino Unido também foram encerrados todos os cabeleireiros e barbearias devido à Covid-19.

Em resposta à publicação de Daniel, seguiram-se outros exemplos de cortes caseiros que resultaram em verdadeiros desastres. Estilos moicanos, franjas deslocadas, pontas desalinhadas, são várias as tentativas falhadas e a conclusão de que não é assim tão fácil cortar o próprio cabelo.

Em Portugal os estabelecimentos estão fechados, mas ainda há quem arrisque

Portugal é um dos países em que os serviços de cabeleireiros e barbearia estão encerrado durante o estado de emergência. Face a esta situação, muitos estabelecimentos foram obrigados a fechar e outros até já tinham fechado antes por falta de clientes.

"Fechei por iniciativa própria no dia 14, uma semana antes de entrar em vigor o estado de emergência. Fechei porque não havia clientes. Ao sábado costumo ter uma média alta de clientes e nesse último sábado tive muito menos marcações do que o habitual. Quatro clientes desmarcaram porque as esposas tinham estado em contacto com pessoas que testaram positivo [ao vírus]", contou ao JN Daniel Reis, proprietário da barbearia "Daniel Reis, o Barbeiro", em Gaia.

Além da falta de clientes, outra das razões para Daniel ter encerrado o espaço teve que ver com a precaução em relação ao novo coronavírus. "Os dois motivos principais foram salvaguardar a minha saúde e a dos meus e o não ter clientes. Agora os clientes mandam-me fotos, alguns já raparam a cabeça ou as barbas", explicou o barbeiro, a quem também já pedem serviço ao domicílio, algo que não aceita fazer.

"Há muita gente que me pede para lhes ir cortar o cabelo a casa, mas as pessoas têm de entender que um corte de cabelo ou barba não é prioridade. Quando voltar a trabalhar, arranjo as 'asneiras' que foram feitas em casa durante estes dias. A barba dá para desenrascar, o cabelo é que é mais complicado. Mas o cabelo cresce, a saúde é que não", afirmou.

Sobre o caso da Austrália e o facto de ainda haver estabelecimentos em Portugal que fogem às medidas de restrição e pessoas que trabalham em casa, Daniel Reis condena a atitude: "Não vale a pena arriscar a saúde por causa de um corte de cabelo. É ridículo haver barbeiros que estão a trabalhar nesta altura. Todos temos despesas para pagar, mas não estamos em casa por vontade própria e não estamos de férias. Estou fechado não por opção, mas por obrigação. Este ano nem férias vai haver e há um filho para dar de comer", lamentou.

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