Inglaterra

Cozinheiro, estudante ou designer gráfico: as múltiplas faces dos amotinados britânicos

Cozinheiro, estudante ou designer gráfico: as múltiplas faces dos amotinados britânicos

Um cozinheiro de um restaurante biológico londrino, um empregado de um teatro da capital inglesa e um estudante de 11 anos estão entre as centenas de suspeitos detidos e identificados pelas autoridades britânicas nos últimos quatro dias.

Estas são apenas algumas das ocupações dos suspeitos da violência em várias cidades britânicas que começaram a ser ouvidos pelos tribunais, que estão a trabalhar dia e noite face ao enorme fluxo de casos, e que revelam as múltiplas caras da multidão em fúria que tem invadido as ruas.

Londres e outras cidades, como Birmingham, Wolverhampton ou Manchester, têm sido palco nas últimas noites de actos de vandalismo e de pilhagens, uma vaga de violência que começou após a morte de um jovem de 29 anos no sábado passado.

Até agora, 750 pessoas foram detidas, das quais mais de 150 já foram acusadas, enquanto outras estão a ser procuradas e identificadas através de imagens de câmaras de vigilância.

Um cozinheiro de um restaurante biológico londrino, de 43 anos, e o seu irmão, 47 anos, detidos por suspeita de roubo de um restaurante de 'fast-food' em Clapham (bairro no sul de Londres), estão entre os suspeitos dos tumultos.

O tribunal londrino de Camberwell Green também ouviu um estudante e dois irmãos gémeos de 19 anos, acusados de terem participado na pilhagem de uma loja de electrodomésticos em Brixton, um bairro periférico de Londres.

Entre os outros suspeitos que "desfilaram" diante do juiz constam um homem que ia integrar o exército, um operador de uma empilhadora e um designer gráfico.

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Alguns deles têm antecedentes criminais, segundo o jornal britânico The Times.

Entre os amotinados, originários de diversas etnias, encontram-se muitos jovens, mas também crianças, como foi o caso de um menino de 11 anos, que foi detido pela polícia.

"É o pior cenário que Manchester alguma vez viu, crianças de 9, 10 ou 12 anos, encapuzadas, a destruírem lojas", afirmou uma porta-voz das autoridades locais, Pat Karney, em declarações à agência noticiosa francesa AFP.

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, declarou esta quarta-feira que os motins mostram que "partes da sociedade estão doentes".

Cameron explicou, numa intervenção junto a Downing Street, que "ver aqueles jovens correr pelas ruas, a partir janelas e a roubar bens, pilhando e rindo enquanto se iam embora - o problema é uma completa falta de responsabilidade, falta de educação dos pais adequada, falta de ética e de valores morais".

As mulheres também estão a participar nos tumultos. No bairro de Hackney, adolescentes ergueram barricadas e uma jovem ajudou a incendiar uma mota, noticiou o jornal The Guardian.

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