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Cruz Vermelha assistiu mais de 130 pessoas no protesto em Hong Kong

Cruz Vermelha assistiu mais de 130 pessoas no protesto em Hong Kong

Mais de 130 pessoas receberam assistência médica, a maioria por inalação de gás lacrimogéneo ou ferimentos causados por quedas, nos últimos três dias de protestos na estação da Cruz Vermelha junto à sede do governo de Hong Kong.

"Desde sábado até às 17 horas de hoje (10 horas em Portugal continental), a HKRC prestou assistência a 132 casos de feridos. A maior parte dos casos estavam relacionados com a inalação de gás lacrimogéneo ou ferimentos provocados por quedas, e três casos foram transferidos para o hospital", informou a Cruz Vermelha de Hong Kong (HKRC) em comunicado enviado à agência Lusa.

A mesma organização indicou que foi fornecido apoio psicológico a 94 pessoas, incluindo 39 casos seguidos através de uma linha aberta (hotline) disponível desde o meio-dia de hoje, numa operação conjunta entre a Cruz Vermelha e uma equipa para lidar com incidentes críticos da Divisão de Psicologia Clínica da Sociedade de Psicologia de Hong Kong.

"A linha aberta tem como objetivo dar apoio aos civis que apresentem distúrbios emocionais ou estejam em 'stress' psicológico devido ao incidente. Inicialmente, está previsto que a linha funcione durante três dias, até quarta-feira [01 de outubro, Dia Nacional da China], mas o seu funcionamento pode ser prolongado se necessário", indicou o comunicado.

A organização humanitária não governamental explicou que em resposta ao protesto que decorre no centro financeiro e comercial de Hong Kong (Central, na designação em inglês), a HKRC montou um posto de primeiros socorros na sua sede em Admiralty desde as 14 horas (7 em Portugal Continental) de sábado.

"Até às 17 horas de hoje, a HKRC mobilizou 131 voluntários de primeiros socorros e 73 voluntários para apoio psicológico para prestarem serviços contínuos de 24 horas", acrescentou.

Além da estação da Cruz Vermelha, pelo menos outro 'posto móvel' de primeiros socorros está instalado no recinto dos protestos em Admiralty, formado na sua maioria por enfermeiros e pessoal médico de hospitais de Hong Kong que entretanto se voluntariaram para prestar assistência nos protestos.

Durante a fase mais tensa dos protestos - entre a tarde e madrugada de domingo - as forças de segurança de Hong Kong, incluindo polícia antimotim, tentaram dispersar os manifestantes com recurso a gás pimenta e lacrimogéneo.

Em comunicado também divulgado hoje, a polícia de Hong Kong disse ter recorrido por "87 vezes" a gás lacrimogéneo durante os confrontos com manifestantes pró-democracia no domingo, defendendo o controverso uso da força contra a multidão.

"O uso da força é utilizado quando não temos outra alternativa", disse o mesmo responsável, em conferência de imprensa.

Nos quatro dias mais intensos dos protestos - desde sexta-feira até hoje - a polícia de Hong Kong disse à Lusa ter registado 41 feridos ligeiros, incluindo agentes, e 89 detenções.

Os atuais protestos em Hong Kong estão a ser considerados como os mais pacíficos na história recente do território pelos cidadãos anónimos e dirigentes dos movimentos pró-democratas na antiga colónia britânica.

A carga policial registada no domingo levou, porém, alguns ativistas e cidadãos anónimos a lembrarem hoje os violentos protestos de 1967, desencadeados por alegados radicais de esquerda.

Em declarações à Lusa, o residente de Hong Kong Nick To, sublinhou que as correntes manifestações pacíficas têm natureza diferente, mas que ambas foram igualmente contidas com polícia de choque e gás lacrimogéneo. "A diferença é que aqueles protestos foram feitos por radicais que lançaram bombas, e nestes não houve nada disso".

As autoridades de Hong Kong anunciaram, segunda-feira, a retirada da polícia antimotim das ruas, uma ordem que não foi alterada.

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