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Cuba exorta EUA a acabar com o embargo

Cuba exorta EUA a acabar com o embargo

Cuba instou os Estados Unidos a levantarem o embargo económico à ilha, em dia de eleições municipais marcadas por elevada participação e por um novo impedimento do desfile das "damas de branco", mulheres e mães de presos políticos.

Mais de 8,4 milhões de cubanos estavam convocadas, este domingo, para as eleições e o presidente Raul Castro foi um dos primeiros a votar, mas sem fazer declarações públicas. Quanto ao líder histórico da revolução cubana, Fidel Castro, votou em casa e fez chegar o seu voto a uma assembleia.

A televisão mostrou o momento em que o voto era depositado na urna e a comunicação social cubana (oficial) recordou que esta foi a terceira vez que Fidel Castro votou desta forma devido ao seu estado de saúde.

Desde há quatro anos que Fidel Castro se mantém afastado da vida pública devido a problemas de saúde, tendo cedido o poder ao irmão, Raul, apesar de se manter como primeiro secretário do Partido Comunista.

O presidente do parlamento cubano, Ricardo Alarcón, fez declarações depois de votar e sugeriu aos Estados Unidos que levantem o embargo económico em vigor contra Cuba, reagindo a declarações recentes da secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton.

No início de Abril, Clinton afirmou que Fidel e Raul Castro não querem o fim do embargo porque "perdiam todas as desculpas para o que se está a passar em Cuba há 50 anos".

"Se ela (Hillary Clinton) acredita de facto que o embargo interessa ao governo cubano (...) a solução é simples, levantem-no nem que seja por um ano", disse Alarcón aos jornalistas em Havana.

Em dia de eleições municipais, as "damas de branco", familiares de dissidentes presos, também foram hoje pela terceira vez impedidas de desfilar em Havana e foram alvo de um novo ato de "repúdio" por parte de apoiantes do regime, enquanto um agente de segurança lhes comunicava a proibição de desfilar.

Apesar deste incidente, a votação em Cuba decorreu com aparente tranquilidade e grande afluência de votantes.

Segundo as autoridades eleitorais, só nas quatro primeiras horas de votação já se registava uma participação de 70 por cento.

Num país em que o Partido Comunista é o único, a campanha eleitoral consistiu em apelos à unidade e ao cumprimento do dever patriótico de "eleger os melhores", neste caso os responsáveis municipais.

Nas eleições realizadas hoje, os cubanos escolhem cerca de 15 mil delegados municipais, eleitos entre mais de 34 mil candidatos que foram nomeados em assembleias populares.

Nesta consulta, puderam votar pela primeira vez 324.464 jovens maiores de 16 anos.

Em Cuba há eleições municipais de dois em dois anos e a Assembleia Nacional é renovada de cinco em cinco anos.