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Cumbre Vieja não vai parar "amanhã nem dentro de uma semana"

Cumbre Vieja não vai parar "amanhã nem dentro de uma semana"

O Cumbre Vieja está ativo há 23 dias e esta é a terceira vez que as autoridades aconselham a população de La Palma a ficar confinada por causa dos gases tóxicos libertados pelo vulcão. A lava continua a ser expelida e a única certeza que há é que não vai parar "amanhã, nem dentro de uma semana".

A população de El Paso e Los Llanos de Aridane, onde vivem cerca de três mil pessoas, foi aconselhada a ficar em casa, por causa dos gases tóxicos que estão no ar de La Palma. O acesso a áreas evacuadas está bloqueado devido à lava e às cinzas. Nieves Sánchez, geóloga de 52 anos, admite, ao "El País", que "não é provável que o vulcão termine amanhã ou depois de amanhã ou dentro de uma semana".

"Nos últimos dias, temos assistido a uma sismicidade mais profunda. Isto pode significar uma nova entrada de magma no sistema e que o vulcão pode estar a reativar", afirmou Sánchez, que faz parte do comité científico do Pevolca (Plano de Emergência Vulcânica das Ilhas Canárias).

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Os geólogos do Instituto Geológico e Mineiro espanhol detetaram "blocos erráticos" do tamanho de casas de três andares a fluir pela encosta do vulcão. "Sob o topo da cratera, forma-se um lago de lava cada vez maior e por vezes transborda. Este lago de lava está a romper as bordas superiores da cratera. Enquanto a lava mantiver esses blocos a flutuar, continuarão a descer a encosta". Os investigadores acreditam que existem três grandes depósitos de magma debaixo do vulcão e os recentes terramotos ser um sinal de que estão a recarregar.

Ainda que sem fim à vista e apesar dos danos que já provocou, esta é uma erupção muito normal, garantem os especialistas. "Encaixa-se em todas as erupções anteriores em La Palma. É uma erupção com pulsos explosivos mais ou menos violentos. A diferença é que agora temos uma ilha muito mais povoada", admite a especialista, que considera que a maioria da população não está consciente de que La Palma é uma ilha vulcânica ativa e por isso, também, não tem noção do risco de viver na região. É importante "ter em conta os processos vulcânicos no planeamento territorial".

"Temos de analisar em que áreas não devemos construir, com base em erupções passadas, e evitar essas áreas. Isto não é como um rio que tem uma zona de inundação. Não sabemos onde irá sair o próximo vulcão" confessou a geóloga. No entanto, para Nieves Sánchez, o vulcão pode ser encarado como "uma oportunidade".
"Ao longo dos anos torna-se uma oportunidade porque as cinzas dos vulcões tornam os campos muito férteis. É também uma grande atração turística. Os solos vulcânicos são assim: catastróficos a curto prazo, promissores a longo".

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