Síria

Curdos pedem a Moscovo que intermedeie negociações com o governo sírio

Curdos pedem a Moscovo que intermedeie negociações com o governo sírio

As milícias curdas na Síria pediram a Moscovo que seja intermediário nas negociações com o Governo sírio, no seguimento da invasão militar da Turquia no país, anunciou hoje em comunicado a administração curdo-síria.

No comunicado, a liderança curdo-síria informou que está a responder positivamente aos pedidos de Moscovo, que incentivou os curdos e o governo sírio a resolverem as suas diferenças por meio de negociações.

Uma autoridade curda na Síria disse ainda que a milícia curda apelou a Damasco "e outras partes" antes da operação militar turca.

O funcionário, que falou sob condição de anonimato por não ter autorização para falar com jornalistas, recusou-se a fornecer detalhes e acrescentou que ainda não existe qualquer acordo.

A chamada para negociações com Damasco reflete o desespero das forças curdas após a retirada das forças norte-americanas, deixando a milícia curda exposta a ataques da Turquia.

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, anunciou hoje o início de uma nova operação militar contra a milícia curda das Unidades de Proteção Popular (YPG), apoiada pelos países ocidentais, mas considerada terrorista por Ancara.

"As Forças Armadas turcas e o Exército Livre da Síria (rebeldes sírios apoiados por Ancara) iniciaram a operação 'Fonte de paz' no norte da Síria", declarou Erdogan através da rede social Twitter.

No domingo, em contacto telefónico entre o chefe de Estado turco, Recep Tayyip Erdogan, e o presidente norte-americano, Donald Trump, os Estados Unidos deram "luz verde" à ofensiva da Turquia no norte da Síria.

O objetivo turco é evitar que as milícias YPG -- que Ancara considera uma extensão da guerrilha curda do PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão) -- venham a expandir posições no norte da Síria junto da fronteira com a Turquia.

A operação militar centrada na margem leste do Eufrates é a terceira intervenção militar de Ancara contra as milícias curdas no norte da Síria desde 2016.