Conflito

Da invasão às anexações: os principais acontecimentos da guerra na Ucrânia

Da invasão às anexações: os principais acontecimentos da guerra na Ucrânia

Sete meses depois do início da guerra na Ucrânia, eis os principais acontecimentos do conflito que divide a Rússia e a Ucrânia.

Início da invasão

Em 24 de fevereiro, Vladimir Putin anuncia uma "operação militar" na Ucrânia para defender as "repúblicas" separatistas do leste do país, cuja independência havia reconhecido três dias antes. Putin exige que a Crimeia, anexada pela Rússia em 2014, seja reconhecida pela Ucrânia como território russo. Também reivindica a "desnazificação" do governo ucraniano, que a Ucrânia tenha um "estatuto neutro" e garantias de que nunca entrará na NATO.

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A ofensiva provoca indignação internacional e a União Europeia (UE) informa que financiará a compra e a entrega de armas à Ucrânia. Os Estados Unidos anunciam 2,3 mil milhões de dólares (equivalente a 2,35 mil milhões de euros) em ajuda militar. O Ocidente começa a aplicar sanções económicas cada vez mais duras contra a Rússia.

Kherson cai

Em 28 de fevereiro são celebradas as primeiras negociações entre Rússia e Ucrânia. Porém, em 3 de março, os russos apoderam-se de uma grande cidade, Kherson, numa região-chave para a agricultura ucraniana e estratégica porque faz fronteira com a Crimeia.

Resistência em Kiev e horror em Bucha

O exército russo tenta cercar a capital ucraniana Kiev, mas enfrenta uma resistência feroz. Em 2 de abril, a Ucrânia anuncia que retomou o controlo da região. A partir de então, Moscovo concentra a ofensiva no sul e na bacia do Donbass, sob controle parcial dos separatistas pró-russos desde 2014.

Após a saída dos russos, são descobertas dezenas de cadáveres de civis em Bucha e outras localidades próximas a Kiev. O Tribunal Penal Internacional (TPI) abre uma investigação.

Conquista de Mariupol

Desde o início da ofensiva, o exército russo sitia Mariupol. A queda deste porto às margens do mar de Azov permitiria a ligação da Crimeia com as áreas separatistas do Donbass. Cerca de 2500 combatentes ucranianos, entrincheirados na siderúrgica Azovstal juntamente com mil civis, resistem até meados de maio.

Segundo Kiev, 90% de Mariupol está destruída e pelo menos 20 mil pessoas morreram na cidade.

Bloqueio de cereais

Em 30 de março, os Estados Unidos acusam a Rússia na ONU de provocar uma "crise alimentar mundial". Cerca de 20 milhões de toneladas de grãos estão bloqueados em portos da região de Odessa pela presença de navios de guerra russos e minas colocadas por Kiev para defender a sua costa.

Em 22 de julho, os dois países selam um acordo para retomar a exportação de cereais, sob os auspícios da ONU e com a mediação da Turquia. Um primeiro navio graneleiro com 26 mil toneladas de milho zarpa de Odessa no início de agosto.

Guerra do gás

Os países ocidentais acusam a Rússia de usar o abastecimento de energia como "arma" em resposta às sanções. As exportações de gás russo para a Europa diminuem. A Gazprom também interrompe as entregas a vários clientes europeus que se recusaram a pagar em rublos.

A partir de 26 de setembro, os gasodutos Nord Stream, que ligam a Rússia e a Alemanha, começam a ser afetadas por fugas misteriosas no Mar Báltico, levantando suspeitas de atos de sabotagem.

Controle de Lugansk

Em 3 de julho, as forças russas anunciam que assumiram o controlo total da província de Lugansk, no Donbass, após conquistar as cidades de Severodonetsk e Lysychansk. O próximo objetivo de Moscovo é Donetsk para dominar a totalidade da bacia mineira.

Contraofensiva no sul

Em agosto, explosões de origem desconhecida danificam uma base aérea e um depósito de armas russas na Crimeia. De acordo com Kiev, dezenas de aldeias foram recapturadas, infraestruturas e pontes estratégicas sobre o Dnieper destruídas, o que interrompeu o abastecimento dos russos.

Ameaça nuclear

A partir do início de agosto, a Rússia e a Ucrânia acusam-se mutuamente de bombardear a central nuclear de Zaporíjia, a maior da Europa, ocupada pelos russos desde março.

A Ucrânia assegura que a Rússia armazena armas pesadas na central e que dali bombardeia posições ucranianas, algo que Moscovo nega. Em 18 de agosto, Zelensky insta a ONU a "garantir a segurança" da central.

Avanço na Ucrânia

No início de setembro, Kiev lança um ataque-surpresa na região de Kharkiv.

No dia 11, a Ucrânia reivindica a reconquista de cidades estratégicas como Kupiansk e Izyum, onde são encontradas centenas de valas comuns.

Mobilização parcial

Em 21 de setembro, Putin anuncia uma "mobilização parcial" de russos em idade de combate (300 mil reservistas convocados), desencadeando manifestações e uma fuga de milhares de homens para o estrangeiro.

O presidente russo ameaça usar armas nucleares para defender a Rússia contra o Ocidente.

Anexações

Entre 23 a 27 de setembro, as autoridades instaladas por Moscovo em quatro regiões ucranianas - Lugansk, Donetsk, Kherson e Zaporíjia - organizam "referendos" sobre a anexação à Rússia, descrita como um "simulacro" por Kiev e pelos países ocidentais.

Em 30 de setembro, Putin ratificou oficialmente a anexação destes territórios por parte da Rússia.

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