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Deb Haaland, a primeira nativa americana a chefiar o Departamento do Interior dos EUA

Deb Haaland, a primeira nativa americana a chefiar o Departamento do Interior dos EUA

O Presidente eleito dos EUA, Joe Biden anunciou este sábado os seus nomeados para lutar contra as alterações climáticas, incluindo a congressista Deb Haaland, que poderá tornar-se a primeira nativa americana a chefiar o departamento do Interior.

"Tenho hoje o prazer de anunciar a equipa que irá liderar os planos ambiciosos desta Administração contra o que é a ameaça existencial do nosso tempo, as alterações climáticas", disse Biden, num evento em Wilmington, Delaware, onde reside.

Biden elogiou os responsáveis da futura administração agora nomeados, e disse que, tal como os restantes já conhecidos, são "brilhantes, qualificados, experientes e quebram barreiras".

Haaland, que falou a seguir a Biden, e que assume a pasta que gere as questões relacionadas com os nativos norte-americanos, optou por lembrar as tentativas do governo dos Estados Unidos no século XIX de "civilizar" ou exterminar as tribos índias norte-americanas.

"Sou um testemunho vivo do fracasso dessa ideologia horrível. Ergo-me sobre os ombros dos meus antepassados e de todos aqueles que se sacrificaram para que eu pudesse estar aqui", disse Haaland, natural do Novo México e membro da tribo Pueblo de Laguna.

A nomeação de Haaland assinala um ponto de viragem nos 171 anos de história do Departamento do Interior, que gere os recursos naturais dos Estados Unidos, incluindo as terras tribais, e tem desde sempre tido uma relação atribulada com as 574 tribos reconhecidas a nível federal no país.

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Haaland comprometeu-se a transformar o Departamento do Interior numa instituição que atenuará a crise climática, ao inverter uma política de muitos anos, em que vem a ser o principal promotor dos combustíveis fósseis.

Biden anunciou também que escolheu Michael Regan para diretor da Agência de Proteção Ambiental (EPA) dos Estados Unidos. Regan é atualmente responsável pela qualidade ambiental no estado da Carolina do Norte e trabalhou na agência de proteção ambiental durante as administrações de Bill Clinton (1993-2001) e George W. Bush (2001-2009).

"Vamos atuar com urgência em relação às alterações climáticas, protegendo a nossa água e implementando um quadro de justiça ambiental", prometeu Regan, que, em tom conciliatório, estendeu uma mão à indústria dos combustíveis fósseis, a quem manifestou a intenção de encontrar um "terreno comum" e trabalhar para um futuro melhor.

Se confirmado pela Câmara Alta do parlamento norte-americano, Regan será o primeiro afro-americano a liderar a EPA, onde terá a responsabilidade de fixar as regras para a redução de emissões de dióxido de carbono provocados pelos transportes e pela prospeção de gás e petróleo.

Biden anunciou ainda a nomeação da ex-governadora do Michigan entre 2003 e 2011, Jennifer Granholm, para liderar a pasta da Energia.

Granholm é uma defensora dos veículos elétricos e do desenvolvimento de tecnologias de energia alternativa. A sua nomeação é interpretada como um respaldo de Biden na luta contra a crise climática.

O Departamento da Energia é, no entanto, responsável pela manutenção do programa nuclear, algo em que Granholm não tem experiência e que consome aproximadamente 75 por cento do seu orçamento, cerca de 27 mil milhões de dólares.

O Presidente norte-americano eleito escolheu ainda Gina McCarthy, administradora da EPA entre 2013 e 2017, sob a administração Barack Obama (2009-2017), para o cargo de conselheira sénior para as Alterações Climáticas, uma posição que Biden criou na Casa Branca para dar prioridade à questão.

O "número dois" de McCarthy será Ali Zaidi, de origem paquistanesa, que desempenhou um papel de destaque nas negociações do acordo climático de Paris.

A equipa de Biden para as alterações climáticas incluirá também Brenda Mallory, que, se confirmada pelo Senado, tornar-se-á a primeira afro-americana a dirigir o Conselho de Qualidade Ambiental da Casa Branca.

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