Processo

Defensores da liberdade de imprensa querem que Reino Unido recuse extraditar Assange

Defensores da liberdade de imprensa querem que Reino Unido recuse extraditar Assange

Várias organizações de liberdade de imprensa pediram numa carta, enviada esta sexta-feira à ministra do Interior britânica, para recusar a extradição do fundador do portal WikiLeaks, Julian Assange, para os Estados Unidos por espionagem.

Na quarta-feira, a justiça britânica deu formalmente luz verde à extradição do australiano de 50 anos à justiça americana, mas agora cabe à ministra do Interior, Priti Patel, assinar um decreto de extradição, suscetível de recurso.

Numa carta, funcionários de 19 organizações - incluindo a organização não governamental Repórteres Sem Fronteiras, as federações europeias e internacionais de jornalistas, além de vários clubes PEN - instam o ministro a "agir no interesse da liberdade de imprensa, recusando a extradição" de Julian Assange.

Os signatários pedem a "libertação imediata" da prisão de Belmarsh, perto de Londres, "onde está há três anos, apesar dos riscos consideráveis para a saúde mental e física".

A justiça norte-americana quer julgar o fundador do WikiLeaks pela divulgação, a partir de 2010, de mais de 700 mil documentos classificados sobre atividades militares e diplomáticas americanas, em particular no Iraque e no Afeganistão.

Assange foi preso em 2019 depois de passar mais de sete anos como refugiado na embaixada do Equador em Londres.

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Processado ao abrigo da legislação contra a espionagem que, segundo os signatários, o impede de se defender eficazmente ao privá-lo do recurso à noção de interesse público, Julian Assange pode ser condenado a 175 anos de prisão.

Os signatários acreditam que, apesar das garantias das autoridades norte-americanas, é "altamente provável" que ele seja sujeito a condições de confinamento solitário no sistema penitenciário norte-americano que "exacerbariam severamente" o risco de suicídio.

Acusações contra Assange, alertam os signatários, "abririam um precedente perigoso, que poderia ser aplicado a qualquer meio de comunicação social que publique artigos baseados em fugas de informação, ou contra qualquer jornalista, editor ou fonte em qualquer lugar do mundo".

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