Polónia

Demitido diplomata polaco que classificou como "estúpida" a lei do Holocausto

Demitido diplomata polaco que classificou como "estúpida" a lei do Holocausto

Um diplomata polaco encarregado de melhorar os contactos com judeus em todo o mundo foi demitido depois de descrever como "estúpida" a lei da Polónia que criminaliza o discurso sobre o Holocausto, disse, esta segunda-feira, o Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Jaroslaw Nowak, o plenipotenciário para contactos com a diáspora judaica, criticou a lei aprovada pelo governo polaco numa entrevista, na última semana, ao jornal britânico "Jewish News", dirigido as comunidades judaicas. Ao jornal, Jaroslaw Nowak disse que, a legislação aprovada em 2018 que proíbe algumas declarações sobre a Polónia e o Holocausto, era "uma das emendas mais estúpidas que já foram feitas por qualquer lei".

O diplomata também disse que a Polónia deveria aprovar uma lei sobre a restituição de propriedades, uma declaração que implica mais críticas aos governantes, que recentemente aprovaram uma lei para cortar as hipóteses de restituição ou compensação para aqueles que tiveram propriedades confiscadas pelos comunistas. Entre os afetados estão sobreviventes do Holocausto e os seus herdeiros.

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Zbigniew Rau, demitiu Nowak no sábado, anunciou no Twitter o porta-voz do ministério, Lukasz Jasina, sem adiantar pormenores.

A demissão de Jaroslaw Nowak ocorre dias depois da Polónia ter convocado o seu novo embaixador em Praga, após ter criticado o país numa entrevista - neste caso, em relação à abordagem polaca a uma disputa com a República Checa sobre uma mina de carvão estatal.

O embaixador Miroslaw Jasinski falou de "arrogância" do lado polaco, algo que o porta-voz do governo considerou de "extremamente irresponsável".

A lei de 2018 que criminaliza o discurso sobre o Holocausto tem como objetivo lutar contra as alegações de que a Polónia, vítima da Alemanha Nazi, era responsável pelo genocídio que matou mais de seis milhões de judeus durante a Segunda Guerra Mundial.

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Israel indignou-se e sentiu que era uma tentativa de encobrir o facto de que alguns polacos mataram judeus durante a ocupação alemã.

A legislação originalmente exigia penas de prisão de até três anos por atribuir falsamente crimes alemães à Polónia. Posteriormente, foi alterada para remover as disposições penais.

Em 2021, a Polónia também aprovou uma lei que restringe drasticamente os direitos de reclamar propriedades confiscadas pelo antigo regime comunista do país.

Essa lei provocou uma disputa diplomática séria com Israel que ainda permanece sem solução.

Jaroslaw Nowak disse acreditar que a Polónia em algum momento "terá de fazer algo sobre a restituição". O diplomata está envolvido no diálogo polaco-judeu desde os anos de 1980, tendo se tornado plenipotenciário para contactos com diáspora judaica em julho passado.

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