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Demitidos dirigentes do centro de acolhimento de imigrantes na ilha de Lampedusa

Demitidos dirigentes do centro de acolhimento de imigrantes na ilha de Lampedusa

Os gestores do centro de acolhimento de imigrantes na ilha de Lampedusa, em Itália, demitiram os dirigentes do equipamento, após a difusão de um vídeo que mostra as condições degradantes oferecidas aos utentes.

Simultaneamente, a Liga de Cooperativas, responsável pela gestão do centro em questão, primeiro local para onde os imigrantes são enviados, anunciou a abertura de uma investigação externa para esclarecer o que aconteceu e apurar responsabilidades.

Também a procuradoria da Sicília, a que Lampedusa pertence, anunciou uma investigação aos eventuais maus tratos no centro sobrelotado (com capacidade para 250 pessoas, alberga, nesta altura, o dobro).

Estas são as primeiras consequências em Lampedusa, localidade onde quase diariamente chegam vagas de imigrantes, sobretudo africanos, após a difusão de um vídeo, na televisão pública italiana.

As imagens, captadas com um telemóvel por um imigrante sírio e que têm sido comparadas a um campo de concentração, mostram um grupo de pessoas nuas, em fila, ao frio, enquanto os funcionários procedem à sua desinfestação e lhes atiram as roupas que devem vestir.

A Comissão Europeia não esperou pela decisão das autoridades locais para reagir, anunciando que vai investigar as "condições degradantes" nos centros de acolhimento de imigrantes e admitindo tomar medidas contra o Governo de Roma.

"A União Europeia está empenhada em apoiar a Itália para receber os imigrantes, mas o acolhimento tem de ser feito em condições decentes", sublinhou Cecilia Malmström, comissária europeia para os Assuntos Internos, na rede social Twitter.

Lampedusa saltou para as páginas da imprensa mundial a 3 de outubro, quando 366 imigrantes que tentavam chegar à Europa morreram num naufrágio, mas os barcos não param de chegar.

A população da ilha italiana, de seis mil pessoas, é superada frequentemente em número pelos imigrantes enviados para centros improvisados.

Segundo as autoridades de Roma, cerca de 25 mil imigrantes entraram em Itália ao longo deste ano, três vezes mais do que em 2012.

Dezenas de milhares de candidatos à imigração, sobretudo oriundos da África subsariana, mas também de Síria, Líbia, Egito, Iraque e Afeganistão, tentam chegar à Europa a bordo de embarcações em mau estado e pouco seguras e depois de pagarem somas avultadas a redes de passadores.

Em 2013, mais de 16 milhões de pessoas abandonaram os seus países na sequência de guerra, fome ou catástrofes naturais, um aumento face a anos anteriores.

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