Web Summit

Democracia nos EUA está frágil e Facebook é ameaça defendem analistas

Democracia nos EUA está frágil e Facebook é ameaça defendem analistas

A democracia nos Estados Unidos está frágil e redes sociais como o Facebook são uma ameaça, tornando necessário credibilizar o processo eleitoral, defenderam esta quinta-feira, em Lisboa, três analistas norte-americanos na Web Summit.

Num debate subordinado ao tema "A Democracia nos Estados Unidos Está Morta?", Ellen Weintraub, comissária da Comissão Eleitoral Federal, David Simas, CEO da Fundação Obama, e Deborah Archer, presidente da União das Liberdades Civis da América (ACLU, na sigla inglesa), consideraram que, em grande parte, a fragilidade da democracia se deve muito ao "uso abusivo" da rede social Facebook.

"A democracia não está morta, mas é frágil. Temos a questão dos direitos civis, do direito de voto que, na prática, havendo leis, e boas leis, têm sido ignoradas. Agravada com o atual sistema eleitoral no país, a situação torna-se complexa e perigosa", defendeu Deborah Archer.

PUB

Para a presidente da ACLU, nos Estados Unidos, a democracia está a ser ameaçada por causa das "ideias da supremacia branca", sendo esse o caso em que o Facebook tem exacerbado as mentalidades dos norte-americanos quando há eleições.

"Há leis no país que ajudam a evitar a supressão de votos, a evitar a existência de falsos eleitores. Mas nem sempre isso corresponde à verdade. Precisamos de fazer com que os eleitores acreditem nos resultados eleitorais e que voltem a acreditar que o voto de cada um deles conta verdadeiramente", sustentou Deborah Archer.

A tudo isto, acrescentou Ellen Weintraub, há a juntar a "degradante mistura" entre a política e o dinheiro.

"Quando dizem que temos boas leis, que temos boas instituições [políticas e judiciais], que, por isso, não pode haver corrupção, os norte-americanos não acreditam e pensam que os políticos estão a brincar com o povo. O que na realidade querem é mais poder e mais dinheiro", sublinhou a comissária da Comissão Eleitoral Federal dos Estados Unidos.

"Se as coisas, assim como estão, já são complicadas, o que poderá acontecer quando deixarem mesmo de acreditar nas leis e nas instituições?", alertou, lembrando, tal como Deborah Archer, o papel "decisivo" das organizações não governamentais (ONG) na sensibilização e solução dos problemas raciais e dos conflitos com minorias nos Estados Unidos, promovendo e lutando pelos direitos civis.

Tendo sempre presente a questão do ódio racial promovido pelas redes sociais, David Simas destacou que, num país com 300 milhões de habitantes, como os Estados Unidos, "todos estão próximos uns dos outros, mas sem se comunicarem".

"Há isolamento, há medo. Os Estados Unidos são o país mais diversificado do mundo. Todos os anos chega um milhão de imigrantes. Há que mudar e serão as instituições que terão de dar o exemplo [na aplicação das leis]", defendeu o CEO da Fundação Obama, indicando ter esperança em que as diferentes comunidades possam melhorar a sua comunicação.

"Até porque o voto é o mínimo que se pode fazer em democracia", acrescentou.

Questionados pelo moderador Steve Clemons, editor do jornal norte-americano The Hill, sobre qual é, atualmente, a maior ameaça aos Estados Unidos, dando a possibilidade de escolher entre Rússia, China ou Facebook, os três não tiveram dúvidas em nomear a rede social, mas sem menosprezar as restantes opções.

Ellen Weintraub lembrou que a Rússia utilizou o Facebook para "minar" as eleições norte-americanas de 2016 e David Simas que os norte-americanos utilizam as redes sociais durante uma média de sete horas diárias.

Por seu lado, Deborah Archer, considerando também que o Facebook é a principal ameaça, voltou à ideia inicial para insistir que não será a rede social a pôr em perigo a democracia norte-americana que, embora frágil, "não está morta".

A Web Summit, que hoje termina, está a decorrer desde segunda-feira em Lisboa, em modo presencial, depois de a última edição ter sido online.

A organização espera cerca de 40 mil participantes, segundo revelou, em setembro, Paddy Cosgrave, presidente executivo da cimeira.

Ellen Weintraub, David Simas e Deborah Archer, são alguns dos nomes que se juntam aos mais de 1.000 oradores, às cerca de 1 250 startups, 1 500 jornalistas e mais de 700 investidores, numa cimeira na qual estão a ser discutidos temas como tecnologia e sociedade, entre outros, de acordo com a organização.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG