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Depois das críticas, Juncker e Trump anunciam acordo para "zero taxas"

Depois das críticas, Juncker e Trump anunciam acordo para "zero taxas"

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, e o norte-americano, Donald Trump, anunciaram um acordo, anulando um conflito comercial entre Washington e Bruxelas que já tinha motivado taxas alfandegárias punitivas mútuas.

Os EUA e a UE chegaram a um "acordo", anunciou Juncker, enquanto Trump afirmou que as duas partes queriam avançar para "zero taxas alfandegárias" nas suas trocas industriais, exceção feita ao setor automóvel.

Os presidentes da Comissão Europeia e dos EUA divulgaram uma série de medidas na agricultura, indústria e energia, para apaziguar o seu conflito comercial, mas os respetivos anúncios são globalmente vagos.

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Falando de "um grande dia" para o comércio livre e aludindo a "uma nova fase" nas relações entre a União Europeia (UE) e os EUA, Trump destacou a vontade comum de avançar, a prazo, para "zero taxas alfandegárias" nas suas trocas industriais, com exceção do setor automóvel. Não foi avançado qualquer prazo para este objetivo.

"Vamos trabalhar para reduzir as barreiras (alfandegárias) e aumentar o comércio nos serviços, nos produtos químicos e farmacêuticos, nos produtos médicos e também na soja", declarou Trump.

O titular da Casa Branca prometeu "resolver" a questão das tarifas alfandegárias norte-americanas aplicadas sobre o aço (25%) e o alumínio (10%) de proveniência europeia. Foram precisamente estas taxas, que estão a ser aplicadas desde 01 de junho, que deterioraram as relações entre Washington e Bruxelas.

Contudo, Trump não esclareceu se isto significava que o seu governo ia suspender ou suprimir estas taxas. Juncker também não esclareceu se as represálias europeias a estas taxas iam ser levantadas.

Trump anunciou ainda que a UE vai começar "quase imediatamente" a comprar "muito mais soja" aos produtores norte-americanos, sem anunciar qualquer volume.

A questão da soja pode suscitar problemas na Europa, uma vez que 94% da soja plantada nos EUA é geneticamente modificada, segundo estatísticas do Departamento de Agricultura norte-americano (USDA, na sigla em inglês).

Em causa está sobretudo a comercialização deste produto, uma vez que a cultura da soja geneticamente modificada é interdita na Europa.

A UE importa muita soja da América Latina, porque, depois do acordo agrícola de Blair House (acordo bilateral entre a UE e os EUA, feito em 1992), renunciou a cultivá-la.

Segundo uma fonte europeia, não vai ser imposta nenhuma nova tarifa alfandegária sobre as importações de viaturas europeias nos EUA, um dossier particularmente sensível para a Alemanha, onde este setor chave emprega cerca de 800 mil pessoas.

A Casa Branca encarregou no final de maio o seu Departamento do Comércio de examinar a possibilidade de impor taxas suplementares, indo até 25%, sobre este setor estratégico da economia mundial e europeia, em particular.

A UE vai também aumentar as suas importações de gás natural liquefeito provenientes dos EUA.

"Nós vamos ajudá-los, mas eles vão tornar-se compradores massivos", estimou Trump.

Por fim, os EUA e a UE vão trabalhar em conjunto para reformar a Organização Mundial do Comércio, para "atacarem o problema das práticas comerciais desleais, incluindo o roubo da propriedade intelectual, a transferência forçada de tecnologias, as subvenções industriais, as distorções criadas pelas empresas do Estado e o excesso de capacidade", detalhou Trump, com afirmações que visam a China.

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