Reino Unido

Deputada britânica impedida de levar bebé recém-nascido para o Parlamento

Deputada britânica impedida de levar bebé recém-nascido para o Parlamento

A deputada britânica Stella Creasy foi impedida, quarta-feira, de levar o filho de três meses para a Câmara dos Comuns depois de o ter feito na terça-feira passada.

Até agora, Stella Creasy sempre levou o filho recém-nascido e, antes dele, a filha mais velha para a Câmara dos Comuns. Mas, depois de aparecer com o bebé na terça-feira, a deputada trabalhista britânica recebeu um e-mail que a informava que isso não estava de acordo com as regras publicadas recentemente sobre "comportamento e cortesias".

"As mães de todos os parlamentos não podem ser vistas ou ouvidas, parece...", escreveu Creasy - que está a incentivar mais mães a entrarem na política através de uma campanha chamada "This Mum Votes".

Segundo a BBC, as regras, que foram atualizadas em setembro, determinam que é proibido "sentar-se na Câmara quando acompanhado de filhos ou ficar em qualquer uma das extremidades, entre as divisões".

"Não tenho cobertura de maternidade - não tenho direitos laborais para ter licença de maternidade", explicou, acrescentando: "Tive um filho, mas não fiquei sem cérebro ou capacidade de fazer as coisas e a nossa política e a nossa formulação de políticas serão melhores se tivermos mais mães à mesa".

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Questão divide opiniões

O parlamentar conservador Scott Benton criticou a posição de Creasy no Twitter, escrevendo: "Os pais que recebem uma fração do que a deputada pagam para cuidar dos filhos e conciliar responsabilidades para que possam ir trabalhar. O que os torna tão especiais?".

Por sua vez, Lindsay Hoyle, presidente da Câmara dos Comuns, pediu uma revisão das regras, acrescentando ser "extremamente importante" que os pais possam participar plenamente nos trabalhos da Câmara, que possui uma creche. "As regras têm que ser vistas no contexto e mudam com o tempo", afirmou.

O vice-primeiro-ministro Dominic Raab, que disse ter "muita simpatia" por Creasy, considerou que os políticos precisavam de se certificar de que a "profissão é trazida para o mundo moderno, [para que] os pais possam conciliar os trabalhos que fazem com o tempo que a família precisa". Já o porta-voz de Boris Johnson afirmou que o primeiro-ministro queria ver "mais melhorias" em tornar o Parlamento amigável para a família.

Em 2018, a ex-líder liberal democrata Jo Swinson foi a primeira parlamentar a levar o seu bebé para um debate na Câmara dos Comuns.

Também naquele ano, a primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, tornou-se a primeira líder mundial a levar um bebé para a Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova Iorque.

No ano seguinte, o presidente do parlamento da Nova Zelândia, Trevord Mallard, segurou no colo o filho do deputado Tamati Coffey e até lhe deu o biberão.

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