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Deputados iranianos gritam "Morte à América" no parlamento

Deputados iranianos gritam "Morte à América" no parlamento

Os deputados iranianos em sessão aberta do parlamento gritaram "Morte à América" como resposta às recentes declarações da Casa Branca, que designaram a Guarda Revolucionária do Irão uma organização terrorista.

"A Guarda Revolucionária sempre lutou contra o terrorismo (...), enquanto que esses terroristas foram criados e financiados por poderes hegemónicos (EUA)", declarou o presidente do Irão, Hassan Rouhani, num discurso transmitido em direto pela televisão, aludindo às sanções impostas por Washington contra o Irão e as suas decisões em favor de Israel sobre Jerusalém e sobre a ocupação dos montes de Golã, na Síria..

Os Estados Unidos "nos últimos 40 anos planearam inúmeros estratagemas contra a nação iraniana e todos estes fracassaram" e, para compensar esses revezes, designaram a Guarda Revolucionária como um grupo terrorista", defendeu Hassan Rouhani, perante muitos deputados com o uniforme militar numa demonstração de apoio àquela força de segurança e também para assinalar o dia nacional do Guarda Revolucionário.

O presidente do Irão, Hassan Rouhani, declarou que a popularidade da Guarda Revolucionária só aumentará depois da classificação feita pelos Estados Unidos, como os seus membros serão mais queridos "do que em qualquer outro momento nos corações da nação iraniana", segundo o jornal americano "New York Post".

Depois dessas palavras, os participantes na cerimónia em que Rouhani discursava, organizada em Teerão por ocasião do Dia Nacional de Tecnologia Nuclear, aplaudiram e gritaram os palavras de ordem típicas, como "Morte aos Estados Unidos e morte a Israel".

É a primeira vez que os EUA intitulam uma entidade de outro governo como uma organização terrorista, na mesma categoria que a al-Quaeda e o Estado Islâmico. O porta-voz do parlamento, Ali Larijani, considerou a decisão dos EUA como o "clímax da estupidez e ignorância".

O líder supremo, Ali Khamenei, elogiou a Guarda e disse que "as más conceções americanas não prejudicarão" aquela força iraniana.

Poucas horas depois da afirmação do governo de Trump, o Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão respondeu, designando o Comando Central dos EUA (CENTCOM) como terrorista e considerando os EUA como "defensores do terrorismo".

Numa decisão inédita, Donald Trump anunciou na segunda-feira que Washington colocou a Guarda Revolucionária do Irão na lista norte-americana de "organizações terroristas estrangeiras", medida que aumenta as hipóteses de os Estados Unidos aumentarem as sanções contra Teerão.

A Força Quds, a unidade de elite da Guarda Revolucionária iraniana, é igualmente abrangida pela decisão de Washington, segundo Donald Trump.

Esta força é um braço externo da Guarda Revolucionária que apoia as forças aliadas do Irão (maioritariamente xiita) no Médio Oriente, como é o caso das tropas do presidente sírio, Bashar al-Assad, ou do movimento xiita libanês Hezbollah.