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Parler: a rede social que juntava extremistas foi apagada da Internet

Parler: a rede social que juntava extremistas foi apagada da Internet

A rede social de conservadores e extremistas Parler foi desativada da Internet, esta segunda-feira, um dia depois de a Amazon advertir a empresa que perderia acesso aos seus servidores por ser incapaz de moderar as mensagens que incitam à violência e levaram à invasão do Capitólio, nos EUA.

O site de rastreamento de Internet Down For Everyone Or Just Me mostrou a rede Parler desativada pouco depois da meia-noite local (8 horas em Portugal continental), o que sugere que os seus responsáveis não conseguiram nenhum outro servidor onde alojar a rede.

A popularidade do fórum cresceu nas últimas semanas, tornando-se na app de acesso gratuito número um da Apple App Store, depois de o Twitter banir o perfil do presidente cessante dos EUA, Donald Trump, da sua plataforma por incitar à violência junto ao Capitólio, na semana passada.

A Parler, conhecida por se recusar a regulamentar conteúdos que incitem à violência e ao ódio, converteu-se rapidamente num megafone para várias teorias da conspiração e assumiu-se como um dos principais meios para a organização dos protestos que culminaram na invasão do Capitólio, na quarta-feira, em Washington.

Mensagens de apoio ao assalto à instituição e ao recurso a armas, juntamente com apelos a novas manifestações foram-se multiplicando na Parler, levando a Google a remover a app desta rede social da sua loja de aplicações, na última sexta-feira, seguindo-se a Apple, no dia seguinte.

Este domingo, a Amazon anunciou que iria desalojar dos seus servidores a aplicação, popular entre conservadores e membros da extrema-direita, e notificou a Parler de que a partir das 23:59 horas deste domingo deixaria de poder usar os seus servidores, o que aconteceu.

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A decisão da empresa liderada por Jeff Bezos, avançada pelo site de notícias americano Buzzfeed, é justificada pela violação dos termos de utilização por parte da Parler, por não eliminar conteúdo violento.

Numa série de publicações no Parler, este sábado, o seu administrador executivo John Matze avisou que o site iria abaixo no dia seguinte e acusou os gigantes tecnológicos de uma "guerra contra a liberdade de expressão". "Eles não vão ganhar! Nós somos a última esperança da liberdade de expressão e da liberdade de informação", escreveu.

Interpelada pela agência de notícias "AFP" sobre este assunto, a Parler não fez quaisquer comentários.

Depois das eleições presidenciais de novembro, em que Donald Trump perdeu para o democrata Joe Biden, a Parler duplicou o seu número de utilizadores para cerca de dez milhões, segundo a empresa.

A rede social não proíbe discursos de ódio nem tem qualquer tipo de filtro contra informações falsas. A não existência de filtro tem sido o seu grande trunfo até ao momento, mas pode condená-la agora, após pressão dos gigantes de Silicon Valley, a tornar-se marginal ou a desaparecer.

Em seu início em 2018, a Parler era, principalmente, um território extremista. Agora, atrai conservadores mais tradicionais, incluindo congressistas republicanos. O congressista luso-americano Devin Nunes é uma das muitas vozes dentro do partido Republicano a promover a rede social Parler.

Apoiantes do presidente cessante dos EUA, Donald Trump, entraram em confronto com as autoridades e invadiram o Capitólio, em Washington, na quarta-feira, enquanto os membros do congresso estavam reunidos para formalizar a vitória do Presidente eleito, Joe Biden, nas eleições de novembro.

Pelo menos cinco pessoas morreram na invasão do Capitólio, anunciou a polícia, que deu conta de que tanto as forças de segurança, como os apoiantes de Trump utilizaram substâncias químicas durante a ocupação do edifício.

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