O Jogo ao Vivo

Ambiente

Desflorestação é chamariz para pandemias, alertam especialistas

Desflorestação é chamariz para pandemias, alertam especialistas

Especialistas das áreas da saúde e ambiente apelam aos governos para combaterem a verdadeira causa das infeções emergentes: a destruição e ocupação da natureza pelo ser humano. Os peritos acreditam que a inação pode levar o mundo a enfrentar pandemias com mais frequência.

A associação "Prevenir Pandemias na Fonte" (Preventing Pandemics at the Source, em inglês) defende que, se nada for feito para combater a desflorestação e o tráfico ilegal de animais selvagens, o planeta irá enfrentar, num futuro próximo, uma nova pandemia, provavelmente "muito pior" do que a que enfrenta atualmente.

"Por causa da nossa má relação com a natureza, estes eventos já estão a acontecer com mais frequência: mais de 335 surtos de doenças infecciosas emergentes foram notificados em todo o mundo entre 1940 e 2004 - mais de 50 por década", alertam os especialistas. Devido à globalização, estes vírus são, atualmente, mais propícios a tornarem-se epidemias e pandemias.

Contacto com animais selvagens aumenta doenças

"Sabíamos que uma pandemia estava a chegar, mas, como comunidade global, ainda não tomámos medidas para a prevenir ou para nos prepararmos adequadamente para ela. Como resultado, estamos perante uma emergência sanitária mundial de proporções épicas, juntamente com uma crise económica global e um enorme sofrimento humano", admite a associação.

A crescente destruição da natureza pela agricultura, a exploração madeireira e o comércio de animais selvagens levou as pessoas a um contacto mais direto com a vida selvagem, o que aumentou consideravelmente o número de doenças zoonóticas, ou seja doenças que passam dos animais para pessoas, nas últimas décadas.

Cerca de dois terços das doenças que infetam os humanos começam noutras espécies, como é o caso dos vírus da gripe, VIH, Zika e Ébola. E, segundo o que se sabe até agora, também o caso do vírus que causa a covid-19, que terá sido transmitido de morcegos para pangolins e de pangolins para humanos.

PUB

Cienistas pedem diálogo e ações coordenadas

A associação "Prevenir Pandemias na Fonte", que junta profissionais de diversas áreas, incluindo saúde e ambiente, apela aos governos dos vários países que optem por uma estratégia integrada e preventiva, e que invistam na proteção do meio ambiente.

"As pandemias são um problema sistémico com raízes espalhadas por muitos setores. Para chegar eficazmente a essas raízes, será necessário diálogo e ações coordenadas entre setores, particularmente na saúde e ambiente, mas também na agricultura, comércio, alimentação e nutrição, que não estão habituados a falar uns com os outros, quanto mais a trabalhar em conjunto", defendem os especialistas.

Em outubro, os mesmos cientistas disseram que o mundo estava a entrar numa "era de pandemias" e que as doenças iriam emergir com mais frequência, propagar-se mais rapidamente, matar mais pessoas e, ainda, afetar a economia global com um impacto mais devastador do que nunca. A única forma de contrariar esta tendência é com um mudança radical de atitude e de convivência com o meio ambiente.

Desde que a pandemia de coronavírus começou, tanto a ONU como a Organização Mundial de Saúde advertiram o mundo para a necessidade de combater a causa destes surtos e não apenas os sintomas de saúde e as consequências económicas.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG