Reações internacionais

Desvio de voo: Lukashenko diz que estrangeiros passaram "linhas vermelhas"

Desvio de voo: Lukashenko diz que estrangeiros passaram "linhas vermelhas"

O presidente da Bielorrússia, Alexander Lukashenko, disse esta quarta-feira que os "ataques ultrapassam as linhas vermelhas" referindo-se às reações internacionais provocadas pelo desvio de um avião para deter um opositor.

"Os nossos adversários do estrangeiro e do interior do país mudaram os métodos para atacarem o nosso Estado. Ultrapassaram uma infinidade de linhas vermelhas. Passaram para lá dos limites do entendimento da moral", disse Lukashenko, citado pela agência oficial Belta, durante um discurso perante altos responsáveis do regime.

Um voo da companhia de baixo custo irlandesa Ryanair entre Atenas, na Grécia, e Vílnius, na Lituânia, foi forçado no domingo a fazer um desvio para Minsk, na Bielorrússia, que culminou com a detenção do jornalista e ativista bielorrusso Roman Protasevich e da companheira.

Na segunda-feira, a União Europeia, reunida em cimeira extraordinária, aprovou uma série de medidas contra o regime bielorrusso e exigiu a libertação de Roman Protasevich.

Os líderes europeus pediram às companhias europeias para evitarem o espaço aéreo bielorrusso, banindo também as transportadoras da Bielorrússia na Europa.

Primeiro-ministro português usa mesma expressão

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O primeiro-ministro português considerou esta quarta-feira que o regime do Presidente bielorrusso, Aleksandr Lukashenko, "ultrapassou todas as linhas vermelhas" ao desviar um avião civil para deter oposicionistas e salientou a condenação deste caso por parte da União Europeia.

António Costa falava numa conferência de imprensa conjunta com o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, em São Bento, antes de os dois se deslocarem a Oeiras para a inauguração da Academia de Cibersegurança e, depois, a Cascais, onde decorrerá a reunião do Conselho de Estado.

"Claramente, acho que quem ultrapassou todas as linhas vermelhas possíveis e imagináveis foi a Bielorrússia e o Presidente Lukashenko. É preciso sentir-se muito ameaçado pelas forças democráticas internas para desencadear um ato absolutamente inimaginável ao permitir-se proceder a um desvio de um avião civil, que se desloca entre duas capitais europeias, duas capitais da NATO, com o exclusivo objetivo de deter um jornalista e a sua companheira", declarou o líder do executivo de Portugal, país que até junho preside ao Conselho da União Europeia.

Bielorrússia em crise desde agosto

Roman Protasevich, de 26 anos, é o ex-chefe de redação do influente canal Nexta, que se tornou a principal fonte de informação nas primeiras semanas de protestos antigovernamentais após as eleições presidenciais de agosto de 2020.

A Bielorrússia atravessa uma crise política desde as eleições de 9 de agosto de 2020, que segundo os resultados oficiais reconduziram o Presidente, Alexander Lukashenko - no poder há mais de duas décadas - para um sexto mandato, com 80% dos votos.

A oposição denunciou a eleição como fraudulenta e reivindicou a vitória nas presidenciais.

Desde então, o país testemunhou uma vaga de protestos populares para exigir o afastamento de Lukashenko, manifestações conduzidas pela oposição que têm sido reprimidas com violência pelas forças de segurança da Bielorrússia.

O Presidente da Bielorrússia afirmou ainda que atuou conforme a lei para "defender pessoas".

"Atuei conforme a lei para defender as pessoas, de acordo com as normas internacionais", disse Lukashenko numa intervenção no Parlamento de Minsk e perante altos responsáveis do regime.

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