Grupo Estado Islamico

Dos oito terroristas, três eram irmãos e um lusodescendente

Dos oito terroristas, três eram irmãos e um lusodescendente

Três irmãos faziam parte do grupo de oito terroristas envolvidos nos ataques, de sexta-feira à noite, em Paris, que mataram 129 pessoas. Um deles está em fuga. Um outro terrorista, um dos homens-bomba que atuou na sala de espetáculos Bataclan, é lusodescendente. A França anunciou, domingo, que bombardeou Raqqa, na Síria, considerada a capital do Estado Islâmico. Esta madrugada de segunda-feira, várias pessoas foram detidas em múltiplas ações policiais. Mais dois suicidas foram identificados.

Múltiplas operações antiterroristas decorreram durante a madrugada de segunda-feira em diversos pontos de França, com vários detidos. Pelo menos uma das ações está relacionada com os atentados em Paris, na sexta-feira. No total, disse, esta segunda-feira, o primeiro-ministro francês, Manuel Valls, foram realizadas 150 rusgas desde sexta-feira. Em Lyon, foi apreendido armamento vário, incluindo um lança-rockets.

A Procuradoria de Paris confirmou, esta segunda-feira, a identificação de mais dois suspeitos de participarem nos ataques terroristas de sexta-feira. Dos sete que morreram nos atentados, cinco estão já identificados.

Samy Amimour, de 28 anos, nasceu em paris em 1987. Vivia na zona de Drancy e foi identificado como um dos autores do atentado ao Bataclan. "É conhecido da Justiça e foi colocado sob vigilância em outubro de 2012, na sequência de uma investigação por associação terrorista. Tinha pendente um mandado de captura internacional, após ter falhado o controlo policial a que estava obrigado, no outono de 2013", explica a Procuradoria de Paris.

Ahmad al Mohammad, morreu no ataque ao Estádio de França. Nascido em 1990, em Idlib, na Síria, será o portador do passaporte sírio que foi encontrada na proximidade do corpo após o ataque. Ainda subsistem dúvidas, "mas há uma concordância entre as impressões digitais dos papeis" e do suicida, adianta a a Procuradoria de Paris.

Durante a tarde de domingo, a polícia francesa divulgou um perfil de um dos irmãos envolvidos nos ataques de sexta-feira: Abdeslam Salah, 26 anos, 1,75 metros de altura, olhos castanhos. Abdeslam Salah ajudou na logística dos atentados e alugou um dos carros usados, o Polo que foi encontrado perto do Bataclan, na noite dos ataques. É procurado pela polícia desde a tarde deste domingo.

Pouco depois do massacres de Paris, Abdeslam chegou a ser detido perto da fronteira belga, quando se deslocava numa viatura que transportava mais duas pessoas. Depois de ter sido identificado, foi libertado pelas autoridades.

Um dos irmãos de Abdeslam, Ibrahim Salah, morreu noatentado ao Bataclan, e o terceiro, Mohamed Salah, está detido na Bélgica, não se sabendo se participou ou não nos ataques. Os três viviam na Bélgica.

Os irmãos foram identificados através dos contratos de aluguer de duas viaturas usadas na noite de sexta-feira: o Polo e um Seat, encontrado, este domingo, em Montreuil, arredores de Paris, com três armas "kalachnikov", cinco carregadores cheios e 11 vazios.

Este domingo ficou ainda a saber-se que o primeiro terrorista identificado pelas autoridades francesas é lusodescentende.Ismael Omar Mostefai, de 29 anos, fez-se explodir no Bataclan, após a chegada da polícia àquela sala de espetáculos parisiense.

Mostefai era um dos cinco filhos de uma portuguesa e um argelino. Esteve na Síria no inverno de 2013, vivia atualmente em Chartres e não tinha ocupação profissional, mas já tinha sido padeiro. Era conhecido da polícia e dos serviços de informações por ligações ao jiadismo.

O secretário de Estado das Comunidades Portuguesas disse, porém, que, no Consulado de Portugal em Paris e no Registo Civil, não consta o nome do terrorista Ismael Omar Mostefai. "Ele [Ismael Omar Mostafei] não é português", disse José Cesário.

Sete pessoas, entre os quais o pai e o irmão, relacionadas com Ismael foram interrogadas e ficaram em prisão preventiva.

A procuradoria francesa anunciou ainda ter identificado mais dois dos autores dos ataques, ambos de nacionalidade francesa e residentes na Bélgica: um deles, de 20 anos, foi um dos bombistas que acionou um colete de explosivos junto ao Estádio de France, e o outro, de 31, atacou quatro restaurantes e cafés no centro de Paris, acionando os seus explosivos junto ao restaurante Comptoir Voltaire.

Fica claro, a partir das conclusões da investigação, que os atentados foram cometidos por três equipas de terroristas, organizadas a partir da Bélgica com cúmplices em França.

O primeiro bombista-suicida acionou os explosivos às 21.20 (20.20 horas em Lisboa), o segundo às 21.30 e o terceiro às 21.53. Os corpos dos três, todos franceses, foram recuperados no local.

A segunda equipa atacou o Bataclan, onde entrou cerca das 21.40. Também aqui foram recuperados três cadáveres de atacantes.

Uma terceira equipa terá sido responsável pelos tiroteios em três bares e restaurantes do centro de Paris, atacados às 21.25, 21.32 e 21.36 horas. Um dos membros desta equipa fez-se explodir às 21.40 num quarto estabelecimento.

Este domingo, um dos principais especialistas israelitas em serviços secretos assegurou que a França foi alertada nas últimas semanas para um notório aumento das comunicações entre grupos jiadistas no Médio Oriente e possíveis ativistas locais.

Recorde-se que o grupo autodenominado Estado Islâmico reivindicou, em comunicado, os atentados de sexta-feira em Paris, que causaram pelo menos 129 mortos.

Ao final do dia, soube-se que a França bombardeou, este domingo, a cidade de Raqqa, na Síria, considerada a capital do Estado Islâmico. Um posto de comando e um campo de treino foram destruídos.

* com agências