Covid-19

Dexametasona é eficaz em doentes graves mas pode prejudicar os outros

Dexametasona é eficaz em doentes graves mas pode prejudicar os outros

O fármaco Dexametasona está a ser usado em Espanha desde março e, segundo um estudo publicado na revista "The Lancet", reduz o risco de mortes por covid-19. Mas é preciso ter cautelas, avisam os especialistas.

A grande maioria das mortes por covid-19 não se deve ao vírus em si, mas à resposta do sistema imunitário, que em alguns casos provoca uma reação inflamatória grave, aumentando ainda mais a dificuldade respiratória e culminando na morte dos doentes, sobretudo idosos e com patologias associadas. Além disto, outros órgãos também podem começar a falhar devido a esta reação.

A Dexametasona é um fármaco anti-inflamatório que tem vindo a ser usado em Espanha no tratamento da covid-19. Os médicos do Hospital Puerta de Hierro de Madrid já tinham dito, em março, que é um medicamento eficaz contra o novo coronavírus, por inibir a ação do sistema imunitário e não permitir que haja uma inflamação tão grave.

Um estudo recente realizado por investigadores do Reino Unido concluiu que a Dexametasona reduz o risco de morte em um terço nos casos de pessoas com respiração assistida e um quinto naquelas que precisam de oxigénio. No entanto, este medicamento não é uma cura para o vírus e não deve ser administrado a qualquer doente, tendo em conta os vários efeitos secundários que pode provocar. A posição é defendida por especialistas internacionais em virologia e pela própria Organização Mundial da Saúde, que já alertou para o facto de a dexametasona não ser "um tratamento ou profilaxia" para o novo coronavírus, salientando que o esteroide testado com sucesso no Reino Unido só deve ser usado em doentes com casos graves.

"Da mesma forma que é um fármaco de grande eficácia e de grande capacidade anti-inflamatória, também tem uma série de efeitos secundários como infeções, diabetes, osteoporose e problemas gastrointestinais. Não pode ser administrado de qualquer forma", disse a espanhola Ana Fernández, especialista em infeções no Hospital Puerta de Hierro, citada pelo "El País".

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Médicos norte-americanos também estão ainda reticentes quanto ao medicamento. Thomas McGin, médico na rede privada de cuidados de saúde de Nova Iorque "Northwell Health", defende que é melhor "esperar para ver dados reais, para ver se é revisto e publicado numa revista real".

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