Eleições

Dez momentos que marcam a corrida de Trump e Biden à Casa Branca

Dez momentos que marcam a corrida de Trump e Biden à Casa Branca

A corrida à Casa Branca começou muito antes de ser dado o tiro de partida oficial. Termina esta terça-feira com a ida às urnas nos EUA, mas a incerteza do resultado vai além da escolha entre dois septuagenários, Donald Trump e Joe Biden.

Quando a linha de meta está à vista - ainda que o resultado final da votação possa demorar dias ou semanas a ser oficialmente conhecido - o JN faz um resumo de alguns dos momentos mais marcantes da corrida presidencial das eleições norte-americanas, num ano particular em todo o Mundo, marcado pela pandemia de covid-19.

19 de agosto - Joe Biden escolhido pelo Partido Democrata

Após uma competição interna que começou em 2019 com cerca de duas dezenas de candidatos, Joe Biden foi nomeado, a 19 de agosto de 2020, como o candidato do Partido Democrata para concorrer contra Donald Trump nas eleições deste 3 de novembro.

Durante o segundo dia da convenção do partido, realizada de forma inteiramente virtual, por causa da pandemia da covid-19, o antigo vice-presidente de Obama conseguiu o apoio de 3558 delegados, o triplo dos 1151 para o senador mais à esquerda, Bernie Sanders.

Biden entra na corrida tendo como companheira designada a senadora da Califórnia Kamala Harris, terceira mulher a ser escolhida como candidata a vice-presidente nos Estados Unidos, depois da democrata Geraldine Ferraro, em 1984, e da republicana Sarah Palin em 2008, que não foram eleitas.

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28 de agosto - Trump aceita a nomeação do Partido Republicano

Não será surpresa a forma como Donald Trump aceitou a nomeação do Partido Republicano, parte do qual teve de engolir um enorme sapo alaranjado a bem da manutenção do partido na esfera superior do poder político.

A 28 de agosto, apesar da tradição e regulamentação para não se usar a Casa Branca para eventos puramente políticos, Trump aceitou a nomeação para candidato a um novo mandato de presidente num enorme palco montado no relvado à frente da Casa Branca, diante de uma audiência com cerca de 1500 convidados.

Perante uma multidão sem máscara, desafiando as diretrizes de combate ao novo coronavírus definidas pelo próprio Governo, numa altura em que a doença já tinha afetado quase seis milhões de norte-americanos e causado cerca de 180 mil mortes (atualmente são mais de nove milhões e quase 235 mil mortos), Donald Trump aproveitou o palco para atacar Joe Biden, o principal opositor na corrida à presidência dos EUA.

29 de setembro - "O pior debate da história" das eleições norte-americanas

A 29 de setembro, madrugada de 30 em Portugal continental, a CNN transmitiu o primeiro debate entre Donald Trump e Joe Biden. A partir de Cleveland, Ohio, os candidatos trocaram mais acusações do que argumentos políticos, num duelo que ficou conhecido como "o pior debate" da história eleitoral norte-americana.

Perante as constantes interrupções do opositor, Joe Biden perdeu a paciência. "É difícil responder a seja o que for com este palhaço", disse o candidato democrata, considerando que Trump é "o pior Presidente que a América já teve". Noutras ocasiões, afirmou que Trump é "racista", "mentiroso", "fantoche de [Vladimir] Putin" e "sem conhecimento" do que diz.

Donald Trump colocou em causa a inteligência de Joe Biden, dizendo-lhe que não há "nada de esperto" no oponente democrata. Num debate agressivo, o atual presidente fez várias acusações de corrupção e vício de drogas ao filho de Joe Biden, Hunter Biden, que o democrata defendeu vigorosamente.

2 de outubro - Trump informa que está infetado com o vírus da SARS-CoV-2

A 2 de outubro Donald Trump anuncia no Twitter - a ferramenta de comunicação preferida do presidente norte-americano - que está infetado com o vírus da SARS-CoV-2.

A publicação, na qual anuncia que a primeira-dama dos EUA, Melania Trump, também está infetada, bateu recordes nas redes sociais e multiplicou reações pelo Mundo fora.

Em comunicado, o médico pessoal de Trump, Sean Conley, disse que o Presidente e a primeira-dama estavam bem e planeavam ficar na Casa Branca, durante a convalescença. Horas depois Donald Trump foi internado no Hospital Militar Nacional de Walter Reed, em Maryland.

Antes de ser levado de helicóptero para o hospital, Trump gravou uma mensagem em vídeo a dizer que sentia bem. Pouco antes do anúncio, o médico e o chefe de gabinete da Casa Branca, Sean P. Conley e Mark Meadows, tinham dado conta dos "sintomas ligeiros" sentidos por Trump - "pouca febre, tosse e congestão nasal", detalhou o "The New York Times".

Segundo um comunicado escrito por Sean Conley, Donald Trump recebeu, também "como medida de precaução", "uma dose única de 8 gramas do cocktail de anticorpos policlonais da Regeneron", tendo tomado ainda "zinco, vitamina D, melatonina e uma aspirina". Embora se sentisse "cansado", estava em "boas condições". Já a primeira-dama, Melania Trump, estava bem, "apenas com uma tosse ligeira e dor de cabeça".

Dois dias depois de ter sido internado, o presidente dos Estados Unidos deixou brevemente o hospital, numa caravana de veículos para saudar apoiantes que se encontram reunidos no exterior.

Trump deixou o hospital num SUV blindado e permaneceu no veículo, usando máscara, enquanto passava por uma multidão que agitava bandeiras e aplaudia.

Médicos criticaram o "passeio desnecessário" de Trump, que consideraram uma "insanidade" e uma "negligência criminal" que colocou em perigo a vida de todas as pessoas que o acompanharam no carro.

5 de outubro - Trump sai o hospital e tira a máscara ao entrar na Casa Branca

Após um fim de semana internado, o presidente dos EUA deixou o hospital militar Walter Reed, em Maryland, e regressou a Washington de helicóptero. No fim de uma viagem de cerca de 12 quilómetros, Donald Trump chegou à Casa Branca.

Ora de punho cerrado ou com os polegares levantados, o presidente dos EUA (ainda infetado), fez continência à partida do helicóptero Marine One que o transportou e, durante vários minutos, permaneceu quieto em frente da porta. Tirou máscara e colocou-a no bolso, numa manobra à "estrela de reality show", segundo alguns "media" dos Estados Unidos.

Uma semana depois, no dia seguinte ao médico da Casa Branca ter afirmado que já não havia o risco de Trump transmitir o vírus, o presidente dos EUA saiu ao ataque. "Parece que estou imune, por, não sei, talvez por muito tempo, talvez por pouco tempo, talvez para toda a vida. Ninguém sabe realmente, mas estou imune", afirmou em declarações por telefone à Fox News.

A questão da imunidade à covid-19 ainda está rodeada de incertezas, não se sabe com precisão o grau de proteção dos anticorpos, nem a duração dessa imunidade.

Nas declarações à Fox News, Trump também insinuou que Biden poderia estar doente, o que nunca se chegou a verificar, tendo o candidato testado sempre negativo a vários testes que fez.

"Se olharem para o Joe, ele ontem tossia muito, depois agarrava a máscara (de proteção), depois tossia", disse.

Enquanto esteve internado, Donald Trump foi tratado com três medicamentos inovadores, dois dos quais não estavam sequer aprovados nos EUA.

27 de outubro - Senado confirma nomeação de Amy Coney Barrett para o Supremo Tribunal

Um mês depois de ter sido nomeada por Donald Trump, assunto que marcou o primeiro e caótico debate entre os candidatos presidenciais, a ultraconservadora Amy Coney Barrett foi confirmada pelo Senado como juíza do Supremo Tribunal, ocupando o lugar deixado vago pela morte da histórica Ruth Bader Ginsburg.

Uma vitória para Donald Trump, que conseguiu que a nomeação acontecesse a poucos dias das eleições e em tempo recorde. Há quatro anos, o Senado controlado pelos republicanos impediu o então presidente norte-americano, Barack Obama, de nomear Merrick Garland para o lugar de Antonin Scalia durante mais de nove meses, argumentando que deveria ser o próximo presidente a fazê-lo.

O mesmo Senado, liderado por Mitch McConnell, inverteu a posição e confirmou a nomeada de Trump independentemente dos resultados das eleições.

21 de outubro - Obama entra na campanha

Cabelo grisalho, Barack Obama, que foi presidente dos EUA de 2008 a 2016, antecedendo a Donald Trump, juntou-se à campanha pela eleição de Joe Biden, que teve como número dois na presidência dos EUA.

Barack Obama, acusou o sucessor, o republicano Donald Trump, de nunca ter levado o cargo "a sério", e apelou à mobilização em favor do candidato democrata, Joe Biden.

"Tweetar enquanto se vê televisão não resolve os problemas" do país, criticou o ex-chefe de Estado norte-americano, durante um discurso em Filadélfia, cidade onde foi assinada a Constituição dos EUA e que seria capital norte-americana durante 10 anos, entre 1790 e 1799.

23 de outubro - Segundo debate, mais calmo e com um botão para calar os candidatos

Escaldados do "caótico" e controverso primeiro debate, os organizadores do segundo frente-a-frente entre Donald Trump e Joe Biden instalaram um botão que permitia silenciar um candidato que passasse das marcas.

O segundo e último debate entre os candidatos, moderado pela jornalista da NBC News Kristen Welker, foi mais calmo e ordeiro, mas ficou marcado por acusações duras de Donald Trump a Joe Biden.

Num tom aparentemente calmo, Trump usou o palco da Universidade Belmont em Nashville, no Tennessee, para acusar Biden de receber dinheiro de potências estrangeiras e de fazer valer os mais de 40 anos de serviço público no currículo para arranjar "tachos" para a família.

O candidato democrata defendeu-se, negou as acusações, e retribuiu. Biden apontou para o facto de ter sido noticiado que Trump manteve uma "conta secreta" na China, que o atual presidente justificou com o facto de ser um homem de negócios.

A pandemia e a difícil relação com a verdade

A forma como Donald Trump tem lidado com a pandemia é, no mínimo, desorganizada. O presidente dos EUA começou por negar as evidências, garantindo que a covid-19 nunca iria afetar os EUA. Em pouco tempo foi desmentido e virou a agulha. Um dia depois de se livrar de um processo de destituição, Trump disse, num comício, que o vírus era um embuste dos democratas.

Bastaram dias para o número de mortos aumentar ao ponto de ser necessário requisitar camiões frigoríficos em cidades como Nova Iorque para armazenar os cadáveres. Perante o avanço da pandemia, e com o governo federal em aparente negação, algumas cidades decretaram medidas restritivas, como o confinamento, que Trump contestou no Twiiter, levando milhares a manifestações.

Após quase dois meses a tratar a covid à moda brasileira, como se fosse "uma gripezinha", Trump mudou de tom passou a falar como um paladino da luta contra a pandemia, sempre naquele registo a América prevalecerá, chegando a dizer que "o vírus não terá hipótese" com os americanos.

A ligeireza com que Trump abordou a pandemia levou-o a sugerir injeções de lixívia ou uma luz dentro do corpo para matar o vírus, a promover o uso preventivo da hidroxicloroquina, à semelhança do "compadre" brasileiro, ou a prometer para todos os americanos os medicamentes inovadores que tomou quando foi internado após contrair a doença, dois dos quais não estavam sequer aprovados para uso generalizado no país.

A leveza, desadequada a um chefe de Estado, com que Trump tratou a covid-19 levou-o a anunciar, a poucos dias das eleições, que a pandemia estava controlada nos EUA. Horas depois, Mark Meadows, chefe de gabinete do Presidente norte-americano, disse que a morte anunciada do coronavírus na América era claramente exagerada.

Com o aproximar da data das eleições, e face aos números nas sondagens, favoráveis ao opositor democrata, Trump agravou o tom de despeito em relação aos efeitos do vírus, que provavelmente lhe custará a eleição, chegando ao ponto de dizer, em comícios, que há médicos a receber dinheiro para registar mortes como sendo por covid-19, acrescentando drama aos números, no país mais afetado pela pandemia a nível mundial.

Os números mais recentes mostram que a pandemia nos EUA é bem mais que uma gripezinha, tendo ceifado já mais de 230 mil vidas, em mais de nove milhões de infetados. A forma como Trump tem lidado com a pandemia levou o principal assessor do presidente dos EUA para as questões de Saúde a dizer, em entrevista ao jornal "The Washington Post" que o rival democrata na corrida à presidência estava a tratar melhor o assunto.

Horas depois, num comício, Trump ameaçou despedir Anthony Fauci."Vocês vão ver, deixem passar as eleições", disse, como quem diz votem em mim que o tipo já era.

Candidatos votaram antecipadamente

O candidato democrata à Casa Branca, Joe Biden, votou, na terça-feira, na cidade natal de Wilmington, no estado de Delaware, para as eleições presidenciais norte-americanas.

A uma semana das eleições, o antigo vice-presidente dos EUA, de 77 anos, foi votar, acompanhado pela mulher Jill Biden. Antes de preencher o boletim, fez um pequeno discurso sobre a pandemia da covid-19 nos EUA.

Donald Trump votou quatro dias antes, a 24 de outubro. De máscara, acompanhado da mulher, Melania, o presidente dos Estados Unidos da América, exerceu o direito de voto em West Palm Beach, na Florida, onde tem domicílio fiscal.

"Votei num tipo chamado Trump", disse aos jornalistas. "Foi uma votação muito segura, muito mais segura do que quando se envia o boletim", disse o presidente norte-americano, levantando, uma vez mais, e sem provas, a ameaça de fraude maciça em relação ao voto pelo correio, tradicionalmente mais favorável aos democratas.

Com receio da pandemia de covid-19, quase 100 milhões de americanos, 2/3 do total de votantes da eleição de 2016, já tinham exercido o direito de voto antes de abrirem oficialmente as urnas, esta terça-feira.

Mesmo que seja considerado seguro, o sistema de voto postal apresenta um risco para eleitores e eleitos: o de que milhões de votos sejam anulados por erros no preenchimento, algo que até já aconteceu com Trump, nas eleições em Nova Iorque.

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