Espanha

Direita usa divergências no Governo para manter pressão sobre Sánchez

Direita usa divergências no Governo para manter pressão sobre Sánchez

Pablo Iglesias vence discussão no Executivo para fazer vigorar a partir de maio "rendimento mínimo vital" para mais de um milhão de famílias.

Com o país em severa crise pandémica e ameaçado com uma quebra de 8,8% no Produto Interno Bruto, a confrontação não conhece tréguas, mantendo a pressão sobre o Governo espanhol.

O líder do Partido Popular (PP), Pablo Casado, mostrou-se indisponível para a ronda de "telerreuniões" do presidente do Governo com os dirigentes partidários, na qual Pedro Sánchez lança as negociações para os "Pactos da Moncloa".

Inspirado nos acordos celebrados em 1977 entre o Governo e os partidos para um plano de reestruturação económica e política no pós-franquismo, Sánchez quer consensualizar medidas económicas e sociais de resposta aos efeitos da pandemia de Covid-19.

Do Juntos pela Catalunha à coligação Unidas Podemos, do Partido Nacionalista Basco ao Ciudadanos, sete acordaram em participar. A líder do Ciudadanos, Inés Arrimadas, com a condição de que Sánchez "se afaste do discurso ideológico do Podemos".

Pablo Casado, cujo gabinete está a negociar a reunião para a semana, aproveitou uma visita a um hospital de campanha para aconselhar Sánchez a que, antes de tentar acordos com os partidos, "alcance um acordo interno que ponha de acordo os seus ministros".

Divergências internas

Dava-se o caso de o vice-presidente dos Direitos Sociais, Pablo Iglesias (Podemos), e de o ministro da Inclusão, Segurança Social e Migrações, José Luís Escrivá (PSOE), terem divergências sobre uma importante medida social - o rendimento mínimo garantido (ou vital, na expressão espanhola) para mais de um milhão de famílias sem proventos.

A principal residia no seu lançamento. A equipa do Podemos pretendia-a com urgência; oficialmente, o Governo falava em meses. Ontem, o gabinete de Iglesias anunciou uma conferência de imprensa para apresentar a medida para maio. Escrivá não gostou de saber "pela imprensa". À tarde, o Governo confirmou a entrada em vigor no próximo mês.

Numa telerreunião, anteontem, entre a ministra da Educação, Isabel Celaá, com os responsáveis do setor nas comunidades autónomas, foi acertada a possibilidade de alunos com disciplinas em atraso obterem os diplomas do secundário e de bacharelato.

Ontem, comunidades governadas pelo PP retiraram-se do acordo ou publicitaram reservas. A ministra diz que não é um acordo que se subscreva ou não, mas um "guarda-chuva" legal para que cada uma tome medidas. A de Madrid salienta que é uma competência do Estado e que a regra tem de ser uniforme, mas o País Basco reclama-a para si.

Mortos sem teste Covid-19 não contam

A porta-voz do Governo, María Jesús Montero, pediu ontem "que não se especule com questões muito sérias" como a contagem dos mortos com Covid-19 e garantiu que os dados do Ministério da Saúde (MS) são os únicos fiáveis.

Montero reagia a uma nova polémica sobre as estatísticas de óbitos, depois de as autoridades autonómicas da Catalunha e de Madrid terem integrado informações de agências funerárias sobre mortes em casa e em lares, mesmo que não tenham sido feitos testes, o que fez duplicar os número locais.

O diretor do Centro Coordenador de Alertas e Emergências Sanitárias, Fernando Simón, reconheceu que o número de óbitos "vai ser difícil de conhecer", mas salientou que os dados que o Ministério da Saúde trata, fornecidos pelas comunidades autónomas, referem-se a pessoas cujos testes de coronavírus foram positivos, seguindo as orientações da OMS.