França

Direitista Eric Zemmour condenado por discurso de ódio

Direitista Eric Zemmour condenado por discurso de ódio

Candidato da direita radical às presidenciais francesas chamou "assassinos" e "violadores" a crianças migrantes. Já foi investigado 16 vezes e esta é a sua terceira condenação por questões raciais.

"São ladrões, assassinos, violadores. É tudo o que são. Devemos enviá-los a todos de volta". Foram estas declarações, feitas no canal de TV CNews, em setembro de 2021, e que causaram indignação geral por se dirigirem às crianças migrantes que entravam em França desacompanhadas, que agora condenaram Eric Zemmour à pena de 10 mil euros por "discurso de ódio racista".

A sentença divide-se em parcelas de 100 euros por dia ao longo de 100 dias. Se não pagar, Zemmour, que não compareceu em tribunal, pode ser preso. Para já, recorreu da sentença.

O mediático ensaísta e comentador de 63 anos parece ser a nova esperança da extrema-direita para as presidenciais francesas, que se realizam a 10 abril deste ano. As sondagens dão-lhe agora 12% das intenções de voto, mas já lhe deram, no outino do ano passado, mais de 16% e possibilidades de passagem à segunda volta. Nesta altura, segundo o portal "Politico", segue atrás da também direitista radical Marine Le Pen (17%), da conservadora Valérie Pécresse (17%) e do presidente incumbente Emmanuel Macron, que lidera as intenções de voto com 25%.

Sentença "é estúpida"

Zemmour já fez saber que iria recorrer do veredicto, que classificou como "ideológico e estúpido", sublinhando que era contrário à liberdade de expressão e ao debate democrático.

"Esta é a condenação de um espírito livre por um sistema judicial que foi invadido pelos ideólogos", disse Zemmour. "A verdade é que esses menores isolados, que muitas vezes não são menores nem isolados, são caracterizados por uma forte tendência para a delinquência ou mesmo a atos criminosos", acrescentou. "Como cidadãos franceses, devemos exigir o direito de falar sobre essa questão", vincou.

PUB

Zemmour já foi investigado judicialmente 16 vezes por comentários incendiários sobre imigração e de islamismo e soma já duas condenações no cadastro por "discurso de ódio". Em 2011, foi multado em 10 mil euros por afirmar na TV que "a maioria dos traficantes são negros e árabes"; e em 2018, foi condenado a pagar 3.000 euros por comentários sobre uma "invasão muçulmana" da França.

Esta quinta-feira, irá de novo a tribunal, num caso que se arrasta desde 2016. Foi quando disse que Philippe Petain, primeiro-ministro francês na II Guerra, entre 1940 e 1944, e sempre em colaboração com os nazis alemães, na verdade "salvou os judeus franceses", negando os seus comprovados crimes contra a Humanidade.

Bonapartista assumido

Filho de judeus berberes que fugiram da Guerra da Argélia, Eric Zemmour nasceu e cresceu em Paris. Jornalista, ensaísta, escritor e mediático comentador da direita ultra radical francesa, assume-se gaullista e bonapartista, e defende um Estado francês centralizador e liderado por um poder executivo unificador de todos os franceses.

É, ainda, adepto do xenófobo movimento identitário europeu e crítico acérrimo do primado social do liberalismo. Uma das suas teorias da conspiração favoritas é a do "grand remplacement" (grande substituição), uma corrente que vaticina a submissão e substituição da população autóctone francesa por uma população de imigrantes, nomeadamente muçulmanos. É autor do livro, "La France n'a pas dit son dernier mot[", um dos mais vendidos atualmente em França.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG