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Índia

Diretora de escola indiana detida para interrogatório

Diretora de escola indiana detida para interrogatório

A polícia deteve, esta quarta-feira, a diretora da escola de Masrakh, na Índia, onde 23 crianças faleceram na sequência de uma intoxicação alimentar. Na origem da morte está um pesticida encontrado na comida.

Desaparecida há mais de uma semana, Meena Kumari foi presa esta terça-feira pelas autoridades indianas que a capturaram quando se encontrava já a caminho do tribunal para se render.

A informação é do superintendente da polícia do distrito de Saran, Sujit Kumar, que adiantou à AFP que "detenção" servirá para "interrogatório". Acusadas de uma resposta lenta, as autoridades garantiram, em conferência de imprensa, que "os culpados serão levados a tribunal e serão punidos".

Desde a passada sexta-feira, as distribuições de alimentos foram interrompidas em cerca de 300 mil escolas primárias. De acordo coma agência Reuters, as investigações realizadas encontraram nas amostras da refeição distribuída níveis elevados de um pesticida agrícola, descrito pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como um veneno de "toxicidade elevada".

O dados do relatório preliminar levam a crer que o óleo utilizado na confeção dos alimentos terá sido guardado numa garrafa que antes tinha contido o pesticida, apesar de, de acordo com a investigação, a diretora ter insistido que o óleo "não podia estar estragado, pois tinha sido comprado na loja do marido".

Protestos e boicote

A morte de 23 crianças, entre os 8 e os 12 anos, na localidade de Masrakh, na Índia, tem sido motivo de protestos e da atenção internacional. Também os professores procuram, agora, distanciar-se. À "BBC", disseram que não deveriam estar "envolvidos em atividades não-académicas".

As declarações surgem após um grupo de professores, em Nawada, distrito de Bihar, ter sido agredido pelos alunos num protesto contra a baixa qualidade do almoço.

Em resposta, o Ministro da Educação evoca a ordem do Supremo Tribunal indiano que obriga os professores a participar nas campanhas e alega motivos de ordem económica. "O Estado não tem recursos para contratar pessoas para pôr em prática as ações", diz.

As campanhas de distribuição alimentar nas escolas foram introduzidas em 1925 com o objetivo de combater a fome e o abandono escolar e abarca uma rede de 1.2 milhões de escolas e 120 milhões de crianças de todo o país.

De acordo com a Reuters, já em 2009 a OMS tinha alertado para a urgência de banir os monocrotofós, a substância agrícola que vitimou as crianças.

Questões relativas à higiene e ao cuidado do manuseamento dos alimentos têm sido levantadas. Alguns alunos dizem mesmo ter encontrado insetos na comida.

Os pais responsabilizam o Governo. "As pessoas não se podem esquecer que as nossas crianças morreram dentro da escola devido à negligência do Governo", afirma Rangeela Prasad Yadad, cuja filha de 11 anos faleceu.