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Dirigente italiano demite-se após condenação de cientistas

Dirigente italiano demite-se após condenação de cientistas

O presidente da Comissão para situações de emergência italiana apresentou, esta terça-feira, a demissão em protesto contra a condenação de elementos deste organismo, acusados de terem subestimado os riscos do sismo que abalou a cidade de L'Aquila em 2009.

"Não tenho condições para trabalhar com serenidade", afirmou o físico Luciano Maiani, em declarações à agência noticiosa italiana Ansa.

O tribunal de L'Aquila, cidade localizada na região dos Abruzos (centro de Itália), condenou, na segunda-feira, sete cientistas italianos, elementos da Comissão, a seis anos de prisão por "homicídio por imprudência".

O veredito acabou por ser mais pesado do que a pena de prisão inicialmente requerida pelo Ministério Público de L'Aquila.

Em finais de setembro último, o Ministério Público pediu uma pena de quatro anos de prisão para estes sete membros da Comissão: seis peritos em sismos e o vice-diretor da Proteção Civil, Bernardo De Bernardinis.

Entre os acusados, figuram grandes nomes da ciência em Itália, como o professor Enzo Boschi, até recentemente presidente do Instituto de Geofísica e Vulcanologia, ou um professor de Física da Universidade de Génova, Claudio Eva.

Um dos argumentos apresentados pelo Ministério Público foi que a comissão de cientistas esteve reunida a 31 de março de 2009 em L'Aquila, seis dias antes do forte sismo, e que após o encontro não tomou qualquer medida de precaução.

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Em declarações divulgadas em finais de setembro, o procurador Fabio Picuti denunciou que a comissão apenas transmitiu "informações banais, inúteis, autocontraditórias e falaciosas".

A defesa pediu a absolvição dos peritos, argumentando que nenhum cientista pode prever um sismo.

Luciano Maiani, um físico italiano de renome, afirmou esta terça-feira, ainda à agência Ansa, que outros responsáveis da Comissão vão igualmente renunciar aos cargos, nomeadamente o vice-presidente Mauro Rosi e o presidente honorário Giuseppe Zamberletti.

Numa entrevista também publicada pelo diário italiano "Corriere della Sera", Luciano Maiani considerou que o veredito foi um "erro grave", observando que "nenhum inquérito foi aberto contra quem construiu de forma inadequada numa zona sísmica".

A condenação dos membros da Comissão italiana provocou uma onda de indignação na comunidade científica italiana e estrangeira.

Em declarações à agência francesa AFP, vários cientistas europeus afirmaram estar "chocados" com a condenação dos peritos italianos, encarando este julgamento como "um precedente muito perigoso".

Por seu lado, a influente organização não-governamental (ONG) norte-americana, Union of Concerned Scientist, classificou a condenação de "absurda" e "perigosa".

A 6 de abril de 2009, um sismo de magnitude 6,3 atingiu L'Aquila e as cidades mais próximas, fazendo mais de 300 mortos. O terramoto, que destruiu vários edifícios, fez igualmente vários milhares de desalojados.

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