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Disney condenada a pagar 3,5 milhões a empregada portuguesa

Disney condenada a pagar 3,5 milhões a empregada portuguesa

Empregada lusa teve de servir à mesa de navio por dez dias com três costelas fraturadas. Tribunal da Florida condenou empresa de cruzeiros da Disney a pagar indemnização milionária.

Em setembro de 2013, Maria Ana Martins, então com 33 anos, estava a trabalhar como empregada de mesa no navio "Disney Dream", que partira da Florida, Estados Unidos da América, com destino às Caraíbas.

Numa escala nas Bahamas, Maria Ana foi atropelada por um carro quando passeava por Nassau. De regresso ao navio, a equipa médica não detetou nenhuma lesão de maior e considerou-a apta para trabalhar, o que fez por dez dias, apesar das fortes dores.

De regresso à Florida, decidiu consultar um médico que descobriu que ela tinha três costelas fraturadas. A companhia enviou-a de volta a casa, em Portugal, onde esteve em tratamento por cinco meses.

Em abril de 2014, Maria Ana voltou ao trabalho, mas foi forçada a desistir após um mês, com queixas de fortes dores nas costelas. Regressou a Portugal e foi-lhe diagnosticada uma lesão no nervo. Em dezembro de 2015, deu entrada de um processo contra a "Disney Dream".

Segundo o jornal norte-americano Miami Herald, o advogado da portuguesa, Julio Ayala, alegou que a companhia de cruzeiros foi negligente e falhou em prestar cuidados médicos adequados à funcionária. Por sua vez, a "Disney Cruise Line" assegurou que tinha cumprido com os seus deveres de cuidado, ao abrigo da lei marítima.

A 19 de dezembro, após cinco horas de deliberação, os jurados decidiram que a Disney Cruise tinha de pagar quatro milhões de dólares (3,59 milhões de euros) à ex-empregada: um milhão por dor e sofrimento, dois milhões por lucros cessantes e um milhão como sanção. Para o júri, 70% da negligência associada com a lesão de Maria Ana foi culpa da companhia, sendo que a própria também teve alguma responsabilidade (30%) no ocorrido.

Segundo Julio Ayala, este foi o primeiro julgamento de júri contra a "Disney Cruise Line" por causa de danos pessoais de um tripulante. Até ao momento, a empresa ainda não comentou o sucedido, nem anunciou se irá ou não apelar da decisão.

Segundo o jornal norte-americano, ao contrário das suas concorrentes, os contrato de trabalho da "Disney Cruise Line" não preveem cláusulas obrigatórias de arbitragem. Apenas exigem que os seus funcionários submetam eventuais processos no tribunal de círculo de Brevard, na Florida, Estados Unidos da América.

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